2010 Filmologia

Edição #00

Editorial

Para tapar os buracos

O Filmologia aparece num contexto agônico. Ao olhar para as nossas publicações jornalísticas, sejam elas impressas ou simplesmente feitas para a internet, o que vemos é uma grande ausência que maldosamente nos toca já que intimamente nos diz respeito – nós, que necessitamos de um diálogo sobre o cinema como um todo. Trata-se da invisibilidade da crítica alagoana, que ignora por completo o pensamento em suas milhares de páginas e que a submete, aqui e ali, aos resquícios da reportagem jornalística. Nesse contexto (que na verdade é um buraco profundo que há anos pede para ser fechado), a ideia do Filmologia é a de que se crie sobretudo um espaço para preencher o vácuo da própria “filmologia”: o relacionamento do filme com tudo aquilo que é real em nossa sociedade (tão voltada à imagem falsamente iconográfica de si mesma) e seu envolvimento com as imagens que todavia brotarão daí, tão importantes e impressionantes que merecem ser estudadas nas mais diversas áreas do Conhecimento – porque sabemos que aqui o crítico não é necessariamente um jornalista.

A nossa revista de cinema funciona em dois tempos. O primeiro, é aquele em que nos reunimos bimestralmente para cobrir certas pautas a respeito de cineastas que admiramos ou não, o que resulta nos especiais sobre filmografias e análises destas e de seus responsáveis. O segundo, é o da atualização frequente em nossas seções de Críticas, com filmes em cartaz ou fora do circuito; Artigos, sobre filmes e situações do audiovisual no Brasil e no mundo; Outros quadros, sobre assuntos os mais diversos; Filme em foco, onde a equipe debate sobre um filme em questão; e Cinema na cidade, que aborda a cobertura com comentários sobre eventos relacionados ao cinema aqui em Maceió – portanto, para nós isso se configura como um desafio saudável às reportagens do jornalismo noticioso. Existe ainda um espaço, Carta do leitor, onde quem nos lê pode dar sua opinião via e-mail, que será, em seguida, publicada na seção com a devida resposta e, se caso houver, um possível debate.

Para começar, escolhemos duas pautas. A primeira é sobre o cineasta finlandês Aki Kaurismäki, dono de um cinema bastante peculiar e irresistível, construído no registro entre o absurdo e o drama puro – e até simplório. Conseguimos cobrir quase a totalidade de sua filmografia em textos individuais sobre os filmes. A nossa segunda pauta é sobre a própria (fantasmagórica) crítica alagoana, que tem sua situação exposta com particularidade de olhar em dois textos dos editores. Nessa pauta, resolvemos entrevistar Elinaldo Barros, o único homem de cinema (e de fé, por que não?) da nossa cidade há pelo menos quatro décadas, para compreender o contexto do passado de nossa crítica (se é que ele existiu) e o que ele espera dessa atual situação. Antes da conversa/entrevista, a qual disponibilizamos o áudio, Elinaldo nos falou sobre um “abecedário” de filmes e diretores que ele construiu como que para testar a memória e para fazer servir de guia. Encontra-se também disponível nesta edição estas antologias de filmes e diretores inesquecíveis e fundamentais. Outras, sobre cinema e atores nacionais e estrangeiros, vamos publicar no decorrer das próximas edições do Filmologia. A Elinaldo, nosso profundo agradecimento. E não podemos deixar de agradecer também ao nosso webmaster Wallisson Narciso, que nos ajudou bastante no visual e navegabilidade do site.

Nossa equipe é composta por amigos das diversas áreas do conhecimento aqui de Maceió, em colaboração com mais um amigo de Recife. Não que o espaço esteja fechado para colaborações de outros estados, mas achamos que, para o primeiro número, deveríamos falar a partir de nossa própria (e talvez inédita) experiência com o cinema aqui no nordeste. Especificamente, somos: Ana Clara Martins (que não falará necessariamente sobre cinema), Fernando Mendonça (nosso colaborador de Pernambuco), Bruno Rafael, Bruno Zanile, Nuno Balducci, Ricardo Lessa Filho e Ranieri Brandão.

Esperamos que este seja um bom começo para a realização de tudo o que, sem soberba alguma, buscamos: antes de qualquer coisa, pensar o cinema como uma série de movimentos e imagens que ajudam a nos completar para viver a vida.

Ricardo Lessa Filho e Ranieri Brandão

Junho/Julho de 2010

Edição #00 (Vol. 1, N. 1)

> Aki Kaurismäki

Artigos

Gélido, talvez; irresistível, com certezaRicardo Lessa Filho

A austeridade da galhofa - Ranieri Brandão

Filmes

Saimaa-ilmiö, Total Balalaika Show e os curtasRanieri Brandão

Crime e Castigo/Hamlet vai à Luta - Fernando Mendonça

Calamari UnionNuno Balducci

Sombras no ParaísoBruno Zanile

Ariel - Nuno Balducci

Os Cowboys de Leningrado vão à AméricaRicardo Lessa Filho

A Menina da Fábrica de FósforosBruno Rafael

Contratei um Matador Profissional - Nuno Balducci

La Vie de Bohème - Bruno Rafael

Se Cuida, TatianaBruno Zanile

Os Cowboys de Leningrado Encontram Moisés - Ricardo Lessa Filho

Nuvens PassageirasBruno Zanile

JuhaRanieri Brandão

O Homem sem PassadoRicardo Lessa Filho

Luzes na EscuridãoBruno Rafael

O Porto – Ranieri Brandão

> Crítica alagoana / Elinaldo Barros

Artigos

Um estado de coisasRanieri Brandão

A crítica invisível – Ricardo Lessa Filho

Elinaldo Barros

Conversa com Elinaldo

Abecedário – filmes – Elinaldo Barros

Abecedário – diretoresElinaldo Barros