Tokyo 1958 (1958, Hiroshi Teshigahara)

Tokyo 1958 talvez seja um dos mais interessantes curtas dessa primeira fase do diretor Hiroshi Teshigahara, pelo fato de não manter-se numa narrativa fiel de documentarista e procurar utilizar animações entre outros meios para demonstrar a capital japonesa no pós-guerra. O filme é narrado num primeiro momento em francês e outra em inglês, o fato do diretor utilizar-se desse artifício nos da uma visão totalmente externa do objeto.

Afinal a impressão não é a de um japonês descrevendo a cidade, mas sim de um olhar externo de um estrangeiro, enquanto são ditas estatísticas que caracterizam a visibilidade da metrópole. Tokyo na época era considerada a maior cidade do mundo e por isso o diretor, ou melhor, diretores (o filme foi dirigido pelos japoneses: Susumu Hani, Yoshiro Kawazu e Hiroshi Teshigahara) exibem pontos positivos e negativos do mundo moderno e principalmente da influência econômico-cultural norte americana.

O contraste entre o tradicional e o moderno é ponto de partida do filme. Multidões que saem do metrô surgem em meio a desenhos de samurais e camponeses. O país estava em forte estado de mudança e a direção constrói cada imagem como numa tentativa de interligar o passado-presente. Dançarinas de boates, vendedores em época de natal, rock, blues passam a fazer parte da paisagem japonesa, numa sociedade ainda não muito bem adaptada. O filme mantém o ritmo ágil da capital, mostrando sempre multidões e fileiras de automóveis.

A questão é que Tokyo 1958 tornou-se um documento histórico de um momento de mudanças no país, numa época em que os japoneses ainda olhavam estranhos para os enfeites natalinos das grandes lojas e a música ocidental tocada nas rádios.

Nuno Balducci

Agosto de 2010


ISSN 2238-5290