Suor paliativo ou calafrio calcário

As raízes dos maiores incômodos apresentados pelo cinema do paulistano Walter Wugo Khouri acham-se no molde de enfrentamento seletor do próprio cineasta perante a unilateralidade material da qual se atarefou. Porque, em suma, somente duas disposições estendem-se à sua desenvoltura, contendo, cada qual, uma dupla guarnição ocasionalmente virtuosa e adormecedora.

A primeira: chamo-a de reiteração desincorporada; nela predominam a total translucidez do extrativismo, e a volatilização do que se extraía. Antes de manipulá-la, o cineasta indaga a circunstância virgem de qualquer medida documentada pelas entrelinhas do instinto, e não do pensamento, a fim de que alguma elaboração espontânea atue entre os componentes interditados pelo seu crivo racional. Depois, para propor uma emenda ou incremento, sacrifica a capacidade transmitiva do que realizara.

A segunda: chamo-a de reiteração expedicionária. Nesta predominam os malabarismos com a matéria conhecida, e o alvoroço experimentado quando a extração concluída anteriormente é quem conduz a um outro terreno sabido na mesma vertente. Antes de lhe desenvolver, Khouri aprofunda-se na sua própria sensação de ressarcimento da experiência aplicada. Depois, tenta evidenciar a dupla absorvição da experiência refletida – um pela vida; o outro pela arte – combatendo o obscurantismo do instinto.

Bruno Rafael

Outubro de 2010


ISSN 2238-5290