O Prisioneiro do Sexo (1978, Walter Hugo Khouri)

O que restou para O Prisioneiro do Sexo? Das mordazes temáticas? Das metafísicas explorações… das inchações comunicacionais do corpo? A libido selvática, a egolatria, incesto, todos ainda estão, mas acomodados com a carnavalização do choque, de modo que a total profundidade das imagens depende de palavras. Deturpagem sem efeito. Dentro da imagem uma desgastada reta. Dentro da palavra uma falida sinuosidade. Tantas são as cenas de sexo e as insinuações sexuais que nenhum dos intervalos feitos para exasperar os personagens dramatizam as angustias, proliferam a versão daquela dor incodificável. Tais momentos são preenchidos naqueles monólogos pseudo-filosóficos tão do gosto do Walter Hugo Khouri. E estes, quando findam, desvirtuam a percussão servida pela problemática, deixando na seqüência a matança da apreensão aguçada do significado.

E tantas são as economias psicologias; E tanta é a sonegação de vida fora do melindre disseminado que os personagens nem se organizam numa aderência física oficial. Na urgência do entrecho, a extroversão torna-se apenas a dignidade da introversão, quando era para representar uma cobaia dela. Esse diletantismo existencial, aliás, vai mais além, quando, extraindo de olhares raciocinados pela hegemonia do entrecho, os planos retiram do corpo enfocado sua inerente arbitrariedade, justificando isto a mostrar esses mesmos corpos já iniciando suas aparições através de passagens feitas a partir da mesma hegemonia. Assim, nenhuma identidade julga os dogmas pelos quais dá tratamento às encadeações, senão aquela ameaçada pelo esmagamento da tensão hereditária.

Observando a síntese de sua historia, O Prisioneiro do Sexo parece ser a versão arcaica de Eu (1987). Ambos têm no centro impulsionador a mesma audiência sensualística e a mesma costura, sendo que o incesto deixa para ultrapassar o limite de sua sinalização em Eu. Feito anos antes, prisioneiro do sexo parece um filme incompleto, e não ascético; parece um filme sobre a custodia de ressaibos, mas ressaibos não da matéria retardatária de obras precedentes,e sim duma prosperidade conteudística do despudor. Enfim, para o filme resta isto! Para nós, tanto quanto para o protagonista, resta o sexo… e apenas as cenas… uma lástima (sexual)!

Bruno Rafael

Outubro de 2010


ISSN 2238-5290