Paixão e Sombras (1977, Walter Hugo Khouri)

Tem uma cena muito curiosa nesse filme: o cineasta pretensioso para para ouvir o contra-regra/assistente/faz-tudo, um tipo mamute que parece ser o oposto completo do artista. A conversa é sobre o filme que eles estão fazendo.

Depois de muita insistência por parte do cineasta, o grandalhão (que é uma representação rocambolesca do homem comum – hora se encaixa bem no filme, hora irrita) confessa que acha os filmes que eles fazem juntos bem ruins. Não é a dele.

Não posso deixar de compartilhar o tédio desse cidadão em frente a um filme como Paixão e Sombras, tão cheio de idéias que ficam só na promessa eleitoreira de se transformarem em cinema, por mais que se fale em cinema nele.

Um viva à sinceridade do faz-tudo. E, claro, ao bom humor de quem tira um sarro de si mesmo.

Bruno Zanile

Outubro de 2010


ISSN 2238-5290