Eros, o Deus do Amor (1981, Walter Hugo Khouri)

Em Eros – O Deus do Amor, Walter Hugo Khouri se atraca a um cometa Felliniano para olhar pra baixo e observar o mundo e a memória afetiva com uma luneta.

A narração é entonada clinicamente, no melhor estilo Telecurso 2000 Química Módulo 3, o que contrasta bem com as imagens constantemente abstratas e passionais. A frieza com que Marcelo interage com seus fantasmas (sempre mulheres, quase sempre sem roupa alguma) passa uma sensação de acerto de contas consigo mesmo.

Nesse tom alienígena, as recordações desnudam e dissecam uma vida, especialmente a porção que interessa Khouri, a sexual. O descobrimento da sexualidade e o fascínio pela figura da mulher são temas visitados com entusiasmo.

Com ascendência em Tarkovsky, o filme é forte e potente sensorialmente, não se deixando abduzir nem pelos clichês utilizados para narrar os ritos de passagem na vida do personagem, nem pelas presunções filosóficas de seu autor.

A narração em off descrevendo a cidade de São Paulo, que introduz esse olhar extraterrestre é provavelmente o vôo mais alto nessa obra-OVNI.

Bruno Zanile

Outubro de 2010


ISSN 2238-5290