O Corpo Ardente (1966, Walter Hugo Khouri)

Solidão, angústia e desejo são temas freqüentes na filmografia do brasileiro Walter Hugo Khouri, que procura exibi-los através dos sentimentos das classes médias e altas.

O Corpo Ardente segue muito bem essa linha e não é por pouco, pois foi considerado pelo próprio Khouri seu filme mais pessoal. Uma burguesa que, cansada da vida de festas e encontros da alta sociedade paulista, decide viajar com o filho para o campo e procurar no silêncio e no meio rural uma forma de escapar de uma crise pessoal.

A protagonista (interpretada por Barbara Laage) encontra num cavalo fugitivo todo seu ideal de beleza e liberdade. Khouri procura não no meio social, mas na figura do cavalo o símbolo de liberdade. A personagem de Barbara Laage passa a se envolver com o animal e a segui-lo, encontrando nele tudo o que sente falta na sua vida. Uma real idealização de todos seus anseios. Na paisagem plena e sólida, parece ser o ápice da solidão, mas ao contrário, complementa a imagem de liberdade do belo cavalo negro.

Essa pode ser considerada com uma das obras mais originais do diretor, nela parece ser usado todo seu senso artístico ainda que não seja sua obra máxima.

Nuno Balducci

Novembro de 2010


ISSN 2238-5290