Como Terminei Este Verão (2010, Aleksei Popogrebsky)

Aproveitemos a sinalização da solitude para representar um equilíbrio entre a espera pelas interpretações do homem projetado e a espera pelas classificações da natureza consolada sob o inóspito e aspirada rente ao selvático.

Ou marginalizemos um pouco o homem. Atentemos mesmo para a modéstia seduzível a partir da qual a natureza demonstra-se caridosa.

Em Como Terminei este Verão, de Aleksei Popogrebsky, absorvamos o devotamento da arte diante do homem confinado na imensidão que jamais será usada pelo cotidiano que não seja o da natureza. Observamos, também é certo, que, incapaz de zelar pela variedade existencial partindo apenas da introspecção, a arte oferece seus saberes humanos à natureza para receber alguns saberes talismânicos.

Sharunas Bartas, em Sete Homens Invisíveis proporciona semelhantes anotações artísticas quando trabalha sobre a circunstância posterior àquela determinante, impactante. Sua regência lacunar é tão anterior ao entrecho permitido à nossa consciência, que nos resta juntar conceitualizações que se sobressaem, seja por contrastes ou narcotizações, às lacunas (até modestas) elaborados durante o nosso acompanhamento visual.

Se o desencadeador já houve, as zonas motivacionais não se encontram plenárias, tampouco inflamatórias. Quando interrogada pela natureza, esse estado (tanto de carência de espera quanto de espera) reassume as suas condições primevas, de maneira que se equilibre o que se permitirá entre o corpo e a abstração das terras, dos mares e dos céus.

É preciosamente na cena que finaliza Como Terminei este Verão que se dá o equilíbrio (entre o dialeto corpóreo, natural e artístico) por onde a eternidade observadora de todas as circunstâncias se inclina reprensentativamente. Através de quatro enquadramentos de onde se nega o artifício do resumo para mencionar uma fusão jamais conquistada.

O primeiro enquadramento: rosto que permanecerá no mesmo espaço, perpetuando-se na sua concentração; o segundo, o rosto que partirá, mas também se perpetuando pela apoteose do atrito; o terceiro, o abraço que logo acabará, pois seus projetores é que permitem um memorial; e o quarto, em pôr-de-sol que abrirá logo para outras luzes, pois sublima a insolvência do abraço.

Ou melhor,dizendo: quatro enquadramentos divididos por duas noções que se comunicam e se confundir a partir da circunstancia: outra vez a eternidade e o efêmero…

Bruno Rafael

Novembro de 2010


ISSN 2238-5290