ABC de atores brasileiros

ALBERTO RUSCHEL – Nascido nos pampas do Rio Grande do Sul debutou na carreira artística pela música, integrando grupo vocal Quitandinha Seraneders. Por conta de sua postura física foi convidado a formar o par amoroso de Eliana na comédia carnavalesca da Atlântida Cinematografia, “Esse mundo é um Pecado”, em 1947. Nos anos subsequentes atou em mais duas comédias – “O Mundo se Diverte” e “É com Esse Que eu vou”. Ao receber uma proposta por São Paulo e companhia Cinematográfica Vera Cruz, trocou o Rio de janeiro por São Paulo e sua carreira ganhou novo rumo. De inicio dois dramas de amor: “Ângela” e “Apaissionata”, 1951/52. Sua maior atuação e sucessos veio no ano seguinte com o filme de Lima Barreto, “O Cangaceiro”, prêmios especiais no Festival de Cannes como melhor filme de aventura e trilha musical. Ruschel interpretou o gangaceiro Teodoro, que renega o banditismo pela professora (Marisa Pardo), raptada pelo bando. Atou em outros filmes de ação e aventura, como “Os Três Garimpeiros”, “O Capanga”, “A Morte Comanda o Cangaço”; a comédia romântica “Matemática Zero, Amor Dez”, recordista em 1958. Quando retornou ao Rio Grande do Sul fez “Paixão de Gaúcho” e em 1973 dirigiu “Pontal da Solidão”. Sua última aparição no cinema foi em 1979, “Pelé, Os Trombadinhas”, sobre marginalidade juvenil.

BUZA FERRAZ – Ator de teatro, TV e cinema. Seu primeiro filme é “Patriamada”, 1985, direção de Tizuka Yamazaki. Em 87, “O País dos Tenentes”. Em 1997, atuou como ator e produtor de “For All, O Trampolim da Vitória”.

CYL FARNEY – Ele foi o principal galã da Atlântida, onde estrelou mais de vinte filmes. Antes de trabalhar na companhia do produtor e exibidor Luiz Severiano Ribeiro, primeiramente foi baterista, tocando em shows de casas noturnas cariocas, acompanhando o irmão, o cantor-pianista Dick Farney. Nos shows chamou a atenção do produtor, diretor e fundador da Cinédia, Adhemar Gonzaga, que lançou nas telas dos cinemas com “Um Beijo Roubado” e “Escrava Isaura”, ambos de 1949. Na Atlântida trabalhou em comédias e dramas com as estrelas da empresa: Anselmo Duarte, John Herbert, Eliane, José Lewgoy, Zezé Macedo, Oscarito e Grande Otelo, com os diretores Watson Macedo e Carlos Manga, dentre outros. Alguns de seus filmes: “Nem Sansão, Nem Dalila”, “O Pecado de Nina”, “Amei um Bicheiro”, “Carnaval Atlântida”, “Colégio de Brotos”, “As 7 Ervas”, “Juventude e Ternura”. Também foi produtor e publicitário. Seu último filme, de 1978, “Esse Rio Muito Louco”.

DIOGO VILELA – Começou sua vida artística em 1969, aos 12 anos, atuando no teatro e na televisão. No cinema seu primeiro papel foi em 1984, ao lado de Débora Block em “Bete Balanço”. Depois surgiram: “Rock Estrela”; “O grande Mentecapto”; “Leila Diniz”; “For All, O Trampolim da Vitória”; “Auto da Compadecida” e “O Coronel e o Lobisomem”.

ELIEZER GOMES – Quando o cineasta Roberto Farias estava testando candidatos para o papel de Tião Medonho, para encabeçar o elenco de “Assalto ao Trem Pagador”,chamou sua atenção a figura de um homem negro forte, bem apessoado e estatura acima da mediana. Aprovadíssimo, o ex-comerciário e estivador do cais do porto mergulhou na Sétima Arte. Era 1962 foi um retumbante sucesso e convites para novos filmes foram surgindo, num total de vinte: “Ganga Zumba, Rei dos Palmares”; “O Beijo”, baseado na peça de Nelson Rodrigues; “Joana Francesa”, filme de Carlos Diegues; “O Anjo da Noite”, 1974, direção de Walter Hugo Khouri, prêmio de melhor no Festival de Gramado. Cinco anos depois o anjo da morte veio buscá-lo.

FERNANDO RAMOS SILVA – Diadema, cidade integrante do ABCD paulista fervilhou em 1979 quando Hector Babenco – diretor de “O Beijo da Mulher Aranha” e “Carandiru” – selecionava meninos e rapazes da favela local para compor o elenco do pungente drama da infância e adolescência brutalizadas de “Pixote, A Lei do Mais Fraco”, 1980. Êxito no Brasil e no mundo. O crítico de cinema do New York Times, Vincent Camby, afirmou que nunca se comovera tanto com a expressividade do menino Fernando Ramos da Silva, 12 anos o interprete do personagem título. No ano de 1981 o ainda menino Fernando Ramos da Silva é levado para TV Globo para participar da telenovela “O Amor é Nosso”. O ex-menino da favela de Diadema (a produção de “Pixote…” comprou uma casa decente para a família) não decorava os diálogos. A TV o dispensou, pois seu ritmo é veloz e voraz. O do cinema é mais brando. Apesar disso teve dois pequenos papéis em “Eles Não Usam Black-Tie” e a versão internacional de “Gabriela”, direção de Bruno Barreto, 1983. Desempregado, esquecido e desprezado, é preso por roubo de eletrodomésticos, numa cruel união com o irmão mais velho. A prisão, o escândalo, o noticiário. Em 25 de agosto de 1987, aos 19 anos, numa ação policial, morre crivado de balas, desarmado, dentro de casa, ao tentar se esconder embaixo de uma velha cama de solteiro. O diretor José Joffily, em 1996, rodou em sua memória, “Quem Matou Pixote?”.

GERALDO DEL REY – Ator baiano que participou de 30 filmes, além de peças de teatro e telenovelas. Em Salvador, capital da Bahia, a partir de 1959 começou a filmar um filme atrás do outro numa escalada vertiginosa que fez trocar a terra de Caymmi e Jorge Amado pelo Rio de Janeiro e São Paulo. Ator premiado atuou em filmes de alta qualidade artística e cultural: “A Grande Feira”; “Tocaia no Asfalto”; “O Pagador de Promessa”; “Deus e o Diabo na Terra do Sol”; “Menino de Engenho”; “Cristo de Lama”; “Anjos e Demônios” e “A Idade da Terra”.

HÉLIO SOUTO – O despontar surgiu na infância, na escola, fazendo teatro infantil, passou pelo colégio ao teatro universitário. Em 1951 fez teste para o elenco de “Garota Mineira”. Alto e atlético, se tornou o galã da Maristela Filmes, de São Paulo. Sucesso em dois filmes sobre banditismo “Dioguinho” (1957) e “O Cabeleira” (1962). Outros de seus tantos filmes: “Agulha no Palheiro”, “Mulher Objeto”, “Os 3 Garimpeiros”. Atuou em telenovelas.

IVAN DE ALBUQUERQUE – Essencialmente foi um homem de teatro. Diretor, produtor e ator da Companhia de Teatro do Rio, em parceria com o ator Rubens Correa. Teve duas participações no cinema. Em “Na Boca da Noite”, 1972, adaptação para tela da peça “O Assalto”, de autoria de José Vicente. Mas, em 1967, no filme de Domingos de Oliveira, “Todas as Mulheres do Mundo”, ele faz o bancário que cai em depressão ao perder a namorada, Leila Diniz para Paulo José.

JECE VALADÃO – Ele foi o homem mau, o cara- de- pau, o machão, o cafajeste do Cinema Brasileiro. Essa marca registrada ficou patenteada com os filmes “Os Cafajestes” e “Boca de Ouro”, ambos de 1962, sendo o último uma adaptação da peça de Nélson Rodrigues, seu cunhado, pois foi casado com a irmã do teatrólogo. Em outros filmes procurou manter a fama, explicita nos títulos dos filmes em que geralmente era o ator, o produtor, diretor: “O Mau Caráter”; “História de um Crápula”; “O matador Profissional”; “As Faces de um Cafajeste”, etc. por outro lado também interpretava o homem comum como em “Pedro e Paulo”; “Procura-se uma Rosa”, sua estréia na direção, 1964; “Bonitinha, Mas Ordinária” e outros baseados em textos de Nelson Rodrigues – “Asfalto Selvagem” e “Engraçadinha”. Por conta da grande aceitação popular com os lucros auferidos nas bilheterias criou sua empresa, a Magnus Filmes. O pessoal artístico e técnico sempre afirmou que ele sempre cumpria corretamente todas as obrigações. Começou como locutor radiofônico e em 1949, aos 19 anos, principiou no cinema com “Carnaval no Fogo”. Chegou aos 60 filmes, atuou sob as ordens de diretores como Nélson Pereira dos Santos (“Rio 40 Graus”, 1955); “Rio Zona Norte” (57) e “Boca de Ouro”; Ruy Guerra (“Os Cafajestes”); Paulo Thiago (“Águia na Cabeça”, 1992); Júlio Bressane, “O Gigante da América”, 1980. Seu último filme foi no ano de 2009, “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”. Além de ter feito o cristo indígena criado por Glauber Rocha em “A Idade da Terra”. É antológico o seu desempenho no filme de Braz Chediak, baseado na peça de Plínio Marcos, “Navalha na Carne”, 1970, ao lado de Emiliano de Queiroz e Glauce Rocha. Recebeu prêmios no Festival do Rio e no Rochester Festival. Para polemizar, virou crente e depois desvirou.

KLEBER AFONSO – Começou pelo teatro de revista e foi do Rio para São Paulo onde fez shows, teatros e telenovelas. Em 1960 principia no cinema em “As Aventuras de Pedro Malazartes”, com Mazzaropi. Em 83 esteve em “Aluga-se Moças 2”. Ainda com o cômico Mazzaropi fez “O Lamparina”, “Meu Japão Brasileiro”, “Betão Ronca Ferro”.

LEONARDO VILLAR – Ao assistir num teatro paulistano a uma encenação de “O Pagador de Promessas”, o ator e diretor Anselmo Duarte se apaixonou pelo espetáculo, comprou os direitos autorais, voltou ao teatro e convidou o ator para viver o personagem Zé do Burro no cinema. Villar aceitou, viajou com a equipe para Salvador e “O Pagador de Promessas” conquistou o prêmio maior do Festival de Cannes de 1962, a Palma de Ouro de Melhor Filme. Ano seguinte o filme concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Houve prêmio no Festival de Edimburgo, Inglaterra, e o filme correu o mundo. A carreira do ator mudou. Passou a ser solicitado para filmar: “Lampião, O Rei do Cangaço”, “O Santo Milagroso”, “Procura-se uma Rosa”, “A Grande Cidade”, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, dentre outros. Suas últimas aparições na tela grande são “Ação Entre Amigos” e “Chega de Saudade”

MILTON RIBEIRO – De origem humilde do interior de Minas Gerais. Seus pais foram um caseiro e uma farinheira. Mudou-se para o interior de São Paulo e durante algum tempo foi enfermeiro. Passou a cantar em feiras e terminou sendo contratado como locutor de rádio teatro. Sua voz e tipo atraíram o diretor Lima Barreto que o convidou para o elenco de “O Cangaceiro”, 1953. Ribeiro faz o capitão Galdino, o líder do bando de cangaceiros, um tipo calado na figura do capitão Virgulino,o Lampião. O papel de homem mau marcou sua ficha profissional de 26 filmes: “Arara Vermelha”, “A Morte Comanda o Cangaço”, “Os 3 Cabras de Lampião”, Pantanal de Sangue”.

NELSON XAVIER – Desde menino, o mais brasileiro de nossos bons atores com seu jeito dolente, fala macia e com o dom especial de captar a aura das almas masculinas do nosso povo. Talvez essa virtude venha dos tempos do Teatro de Arena, estreando em 1958 com “Eles Não Usam Black Tie”, que 1981 foi para o cinema é ator de “Os Fuzis” e “A Queda”, ambos de Ruy Guerra, marcou presença especial. Seu primeiro filme dentre de os 50 feitos, é “Fronteiras do Inferno”, 1959. Filmes marcantes: “A Falecida”, “Dois Perdidos numa Noite Suja”, “Vai Trabalhar, Vagabundo”, “Dona Flor e Seus 2 Maridos”, “O Cangaceiro Trapalhão”, “O Mágico e o Delegado” e, recentemente, “Chico Xavier”.

OTHON BASTOS – É um dos mais solicitados coadjuvantes do cinema Brasileiro. Todavia, foi protagonista de duas grandes obras “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, 1946, como Corisco; e o birrento Fabiano, de “São Bernardo”, 1973. Ator de formação teatral principiou no cinema em 1962 com “O Pagador de Promessas”. Alguns de seus títulos: “Sol Sobre a Lama”, “Fogo Morto”, “A Próxima Vítima”, “Os Sermões”, “Bicho de 7 Cabeças”.

PAULO JOSÉ – Um jovem do interior do Rio Grande do Sul, ao completar 18 anos, vai para capital Porto Alegre para cursar Arquitetura, em 1956. Convivendo no meio artístico, larga a universidade para viver de teatro. O pai, fazendeiro, gaúcho macho, tehê, fica irado, desgostoso. Mas, o filho, decidido, resolve tomar outra atitude mais ousada, morar em São Paulo, em 1963, viver da ribalta, trabalhando no Teatro de Arena. Três anos depois, recebe convite do diretor Joaquim Pedro de Andrade para filmar “O Padre e a Moça”, inspirado de um poema de Carlos Drummond de Andrade, ao lado da atriz Helena Inês. A história de um amor proibido e maldito desperta as atenções da crítica e do público. Mas, foi no ano seguinte, 1967, no filme de Domingos de Oliveira (ator, diretor, autor, produtor-teatro,cinema e tv) que o jovem gaúcho cai nas abençoadas graças do sucesso. “Todas as Mulheres do Mundo” conquistou o Brasil. O filme lançou uma jovem atriz, Leila Diniz, que logo depois virou símbolo da liberdade feminina. A comédia e drama romântico foi de tamanho sucesso que o diretor juntou novamente a dupla para uma nova e leve produção – “Edu, Coração de Ouro”. Paulo José passou a ser o ator mais solicitado do Cinema Brasileiro. E tome convites e realizações: “As Amorosas”, “Vida Provisória”, “Bebel, Garota Propaganda”, o estouro de público de “Macunaíma”, adaptação do livro de Mário de Andrade. Foi para TV Globo onde atua e dirige minisséries, uma delas, “O Tempo e o Vento”. Retornou ao cinema e representou bons papéis em “Faca de 2 Gumes”, “Policarpo Quaresma”, “Benjamim”, filmagem do romance de Chico Buarque de Holanda. Seu mais novo trabalho é “Quincas Berro D’água”, sobre a obra homônima de Jorge Amado. O pai, gaúcho macho, tchê, viveu e viu que o filho era bom. E continua muito bom aos 73 anos de idade.

REGINALDO FARIA – Foi através de seu irmão, o cineasta Roberto Farias que deu seus primeiros passos no cinema na função de assistente de câmera em 1957, na comédia “Rico Ri à Toa”, aos 20 anos de idade. No ano posterior atou em “No Mundo da Lua. Seu primeiro desempenho de destaque foi sob a regência de seu irmão no drama social e policial, “Cidade Ameaçada”, com Eva Wilma. O sucesso chegou pra valer em 1962 com o antológico “Assalto ao Trem Pagador”, novamente com o irmão como diretor. Reginaldo e seu irmão estiveram laborando juntos nos filmes: “Selva Trágica”, Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, “Pra Frente Brasil”. Os dois estiveram outra vez juntos na minissérie da TV Globo, “As Noivas de Copacabana”. Em 1969 fez sua primeira incursão como diretor na festejada e bem sucedida comédia “Os Paqueras”. Depois vieram “Os Machões”, com Erasmo Carlos como um cabeleireiro; “Pra Quem Fica, Tchau”, “Quem tem Medo do Lobisomem”, “Barra Pesada”, “Aguenta Coração”. Os maiores desempenho do ator-diretor são os dos filmes “Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia”, “Com Licença, Eu Vou à Luta” e “Memória Póstumas de Brás Cubas”, adaptação do livro de Machado de Assis.

SELTON MELLO – Começou sua carreira de ator aos 8 anos na TV Bandeirantes na novela “Dona Santa”, 1980. Fez diversas novelas na Globo e estreou no cinema em 1993 no infanto-juvenil “Era Uma Vez”. Quando filmou “Guerra de Canudos”, “O Que é Isso Companheiro” e “O Auto da Compadecida” ainda atuava na Globo. Resolveu deixar a TV pelo cinema. “Lisbela e o Prisioneiro”, “Lavoura Arcaica”, “O Cheiro do Ralo”, “Meu Nome não é Johnny” “Jean Charles”. Estreou como diretor no denso e dramático “Feliz Ano Novo”. Está num novo filme, “Os Federais”, sobre ações da Policia Federal.

OS TRAPALHÔES – Desde a TV Ceará, em 1964, aos 29 anos o bacharel em direito, José Renato Aragão, atuava como comediante. Mas mudou de ares, veio para a TV Excelsior, Rio de Janeiro e juntou-se aos cantores Ivon Curi, Wanderley Cardoso e o lutador de tele-catch, Ted Boy Marinho e estava formado o grupo Os Adoráveis Trapalhões. Ao passar para TV Record, a cantora Vanusa ficou no lugar de Ted Boy Marinho e o grupo trocou de nome, Os Insociáveis. Em 1966 faz sua estréia cinematográfica em “Na Onda do lê lê lê” e no ano seguinte, “Adorável Trapalhão”. Em 1968, ao lado de Dedé Santana filma “Dois na Lona”. Passou uma temporada na TV Tupi e cria o personagem Didi e recebe Mussum (Antônio Carlos Bernardes Gomes) e Zacarias (Mauro Gonçalves), com o nome Os Trapalhões. No final de 1976 o grupo firma contrato com a TV Globo. Com a soma de oito filmes no currículo, Renato Aragão emplaca o nono e o primeiro do grupo, “Os Trapalhões na Ilha do Tesouro”, 1974. Hoje, Renato Aragão conta com mais de cinqüenta filmes em sua carreira, várias vezes recordista de bilheteria. Alguns títulos: “O Trapalhão no Planeta dos Macacos”, “O Cangaceiro Trapalhão”, “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”, “Os Trapalhões no Alto da Compadecida”, “Os Saltimbancos Trapalhões”, etc. Um fenômeno.

URBANO LOÉS – Como locutor e rádio-ator iniciou sua vida de artista, em 1930, aos 22 anos. Fez telenovelas e começou no cinema em 1970 com a comédia “Ascensão e Queda de um Paquera”. Seu último filme, 1979, “O Coronel e o Lobisomem”. Morreu no ano seguinte. Fez várias comédias: “Quando as Mulheres Paqueram”, “Como Era Boa Nossa Empregada”, “O Pai do Povo”, filme de Jô Soares. E o drama “O Seminarista”, baseado no romance de Bernardo Guimarães.

WALTER FOSTER – Em 1931, aos 14 anos, começou a trabalhar como locutor radiofônico em Campinas, SP, sua cidade natal. Fez teatro, tv e cinema. Participou da inauguração da TV Tupi, a pioneira no Brasil, em 1950. Três anos depois na telenovela “Sua Vida me Pertence”, protagonizou o primeiro beijo na tv com a atriz Vida Alves. Começou no cinema em 1974 com “Luar do Sertão”. Dentre os diversos filmes estão: “As Cariocas”, “Os Paqueras”, “Amor Estranho Amor”, “Roberto Carlos a 300 km. Por Hora”, “Além da Paixão”, “Quincas Borba” e “Alma Corsária”. Faleceu em 1996.

WILSON GREY – Ator recordista do Cinema Brasileiro, cujo inicio foi em 1948, aos 25 anos, com “Hóspede da Noite”. Foi o primeiro passo de quem trilhou por mais de 250 títulos, entre longas e curtas. Somente no longa “O Segredo da Múmia” foi o protagonista. O eterno coadjuvante fez diversos gêneros, atou com os mais diversos diretores. Também fez teatro e TV. com o humorista Chico Anísio interpretou o malandro Lingüiça. Alguns filmes: “Boca de Ouro”, “Memória do Cárcere”, “Rio Babilônia”, “Matar ou Correr”, “Nem Sansão, Nem Dalila”. Aos 69, faleceu em 1993.

XANDÓ BATISTA – Ator de teatro, televisão e cinema. Dentre os filmes que atou o destaque é “O Seminarista”.

ZÉ DO CAIXÃO – Excêntrico, original, “Kitsch”, começou em 1957 com um faroeste, “Sina de um Aventureiro”. Cultor do cinema de terror, José Mojica Marins criou e apresentou em 1964 o personagem Zé do Caixão no filme “Á Meia-Noite Levarei Sua Alma”. No ano seguinte lançou “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”. Em épocas difíceis rodou pornôs. Em festivais internacionais foi reconhecido, elogiado e premiado. Seus filmes foram comercializados e o personagem Zé do Caixão, que há tempos incorporou, virou Coffin Joe.

Faróis de outrora

ANKITO – cômico acrobata de origem circense. O pai-palhaço Faísca; o tio – o palhaço Pipolim. Mais de 20 filmes “Metido a Bacana”, “É de Chuá”, “Pé na Tábua”, “Um Candango na Belaca”.

GRANDE OTELO – com 112 filmes entre dramas e comédias foi sempre um bamba. Sambista, compôs “Praça Onze”. Grandes momentos de sua carreira: satirizando com Oscarito “Romeu e Julieta” em “Carnaval no Fogo”; o discurso do bêbado na passagem do enterro de uma criança em “O Assalto ao Trem Pagador”. Todas as suas cenas em “Macunaíma”.

MAZZAROPI – “cante a tua terra e serás universal”. Mazzaropi fez o caipira a comicida ingênua, e o espírito teleírico, puxando depois para a grande cidade: “Candinho”, “Tristezas do Jeca”, “O Corintiano”. Em “Tapete Vermelho”, o ator Matheus Nachtergaele rende homenagem justa ao Caipirão.

OSCARITO – Ator completo – cantar, correr, imitar, travestir-se. Tem mais? Interpretava comédias e dramas. Imita o presidente Getúlio Vargas em “Nem Sansão, Nem Dalila”; dança rock com Elvis em “Aviso aos Navegantes”. Surpreendente na comedia dramática “treze Cadeiras”.

RONALD GOLIAS – “Ô cride, fala mãe…” Com um jeitão abobalhado de um meninão, deixou sua marca no cinema e tv. O grupo musical puxa um rock como grito bem paulistano: “Ô cride…” Alguns filmes: “O Dono da Bola”, “O Homem Que Roubou a Copa do Mundo”, “Golias Contra o Homem das Bolinhas”.

ZÉ TRINDADE – Baiano, baixinho, saliente, atrevido e enxerido. Gaiato, sensual. Tinha uma tirada verbal que o povo explodia de rir: “Jota i gi, traço de união acento agudo no o – Jararaca”. Por demais Lascivo: “ – Meu negocio é mulher…” Ou então sem sutileza: “Boa é minha mãe…Você é gostosa”. Alguns títulos: “Marido de Mulher Boa”, “Mulheres Chegei”, “Massagista de Madame”, “Prá Lá de Boa”. O diretor Cacá Diegues fez uma singela homenagem no filme “Um Trem Para as Estrelas”.

E tem os nomes de Procópio Ferreira, Fregolente e Rodolfo Arena. Eles formam um básico e radiante triângulo cristalino de talento. Muito talento. Todos os noves são faróis da arte de representar.

Elinaldo Barros


ISSN 2238-5290