ABC de atrizes brasileiras

As atrizes brasileiras, meritoriamente, conquistaram prêmios nos festivais internacionais. Darlene Glória e Fernanda Montenegro são citadas. Mas, deve-se, também, assinalar os lauréis conquistados por mais três atrizes. Em 1984, no Festival de Berlim, pelo filme de Sérgio Toledo, “Vera”, o Urso de Prata para Ana Beatriz Nogueira. No ano posterior, novamente Berlim premiou outro Urso de Prata, desta vez para Marcélia Cartaxo “Hora da Estrela”, da diretora Suzana Amaral. A terceira vencedora foi Fernanda Torres, Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes de 1986, pelo filme de Arnaldo Jabor, “Eu Sei Que Vou Te Amar”.

Elinaldo Barros

AURORA DUARTE – desde menina as indicações artísticas começaram a se manifestar, cantando e declamando em um programa de rádio em Olinda, Pernambuco, sua terra natal. Mesmo trabalhando num hospital de Recife, nunca deixou de lado o sonho das artes e se enamora pelo cinema. De imediato conseguiu juntar recursos e produziu, dirigiu e atuou em “A Sereia e o Mar”,1953, mistura de documentário e drama. Aproveitando a passagem do cineasta brasileiro radicado na Europa, Alberto Cavalcante, que estava em Recife fazendo testes para o filme “O Canto do Mar”, se inscreve e passa. Com o sucesso do filme decide ir ao Rio de Janeiro e depois São Paulo e recebe o convite de trabalhar no drama “Os Três Garimpeiros”, junto a Hélio Souto e Alberto Ruschel, 1955. Monta seu grupo teatral, passa a laborar na televisão e continua escrevendo. De 1955 a 59 filmou “Armas da Vingança”, “Fronteiras do Inferno”e “Crepúsculo de Ódios”. O maior sucesso de sua carreira é o elogiado “A Morte Comanda o Cangaço”, 1960, em que produziu e protagonizou, tendo as presenças de Alberto Ruschel e Miltom Ribeiro. Houve um longo hiato e retornou no musical “Uma Nêga Chamada Tereza”, 1973, musicado por Jorge Ben Jor. O último filme foi “Noites Paraguaias”, em 1982. Aurora Duarte, um exemplo de luta e destemor.

BETTY FARIA – Uma das mais intensas atrizes do Brasil. Brilha na TV e no cinema. Duas telenovelas marcaram sua carreira – “Pecado Capital” e “Tieta”. Em 1963, aos 22 anos, estréia no cinema em “Samba Sexy”. Com quase 30 filmes desenvolveu boas e marcantes atuações nos filmes “A Estrela Sobe”, desempenhando uma cantora dos áureos tempos do rádio, Lenita, personagem do livro de Marques Rebelo; “Bye Bye Brasil”, a bailarina Salomé, da trupe mambembe da caravana Rolidei; a professora pública de “Anjos do Arrabalde”; a esperta doméstica de “Romance de Empregada”. São trabalhos premiados da atriz de “O Cortiço”, “O Casal”, “Perfume de Mulher”, “Um Trem Para as Estrelas”.

CARLA CAMURATI – Hoje ela está Secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Mas foi balconista de loja, pesquisadora do Censo, auxiliar de professora e estudante de Biologia, que largou pelo curso de Teatro. Trabalhou em algumas peças 1981, aos 21 anos e recebeu um prêmio no Festival de Gramado por “O Olho Mágico do Amor”. Também atuou em “Eternamente Pagu”, “A Estrela Nua”, “Lamarca”, Cidade Oculta”. Quando resolveu dirigir, 1987, começou pelo curta, premiado em Brasília, “A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal”. Numa fase critica e quase destrutiva do Cinema Brasileiro, 1995, dirigiu o longa “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, farsa sobre a História do Brasil. Um tremendo sucesso, apontado como o filme da retornada do cinema nacional. Dirigiu mais dois longas: a comédia dramática “Copacabana”, a ópera “La Serva Padrona” e “Irmã Vap”.

DARLENE GLÓRIA – Ela foi a primeira atriz brasileira a receber um prêmio internacional, o Urso de Prata do Festival de Berlin, 1973, por “Toda Nudez Será Castigada”, obra-prima dirigida por Arnaldo Jabor, baseado em Nelson Rodrigues, um vulcânico sucesso. Ela cobre a tela como uma lava incandescente de abrasadora paixão. Começou adolescente de 15 anos como cantora e atriz da emissora radiofônica de sua natalina Cachoeira de Itapemirim, Espírito Santo. Na ocasião, 1958, também no microfone, Roberto Carlos. Eleita miss num concurso de beleza foi para o Rio onde fez shows, teatro, circo. O primeiro filme, “Um Ramo Para Luíza”, 1964. Outros foram surgindo: “Paraíba, Vida e Morte de um Bandido”, “Os Paqueras”, “São Paulo SA”, “A Viúva Virgem”, etc. sua vida pessoal atribulada e amores tormentosos lhe causaram dores e dilacerações na carne e na alma. Largou tudo pela religião, casou com um pastor, mudou o nome – Irmã Helena Brandão e direcionou sua arte para a evangelização. Chegou a trabalhar na telenovela “Carmem”, com o novo nome. Tempos depois, divorciada, em paz, retornou ao universo artístico e rodou “Filhas do Sol” e “Feliz Ano Novo”.

ELIANA MACEDO – Estrela maior da Atlântida Cinematográfica, durante vários anos foi a queridinha dos brasileiros. Ela foi mais outra garotinha que manifestou cedo as tendências artísticas. Em 1949, aos 23 anos, recebe e aceita o convite do tio, o diretor Watson Macedo, a ingressar no cinema em “O Mundo se Diverte”. Coincidências do cinema, o ultimo filme da atriz, “Rio Verão e Amor”, 1966, também foi o derradeiro do mais fecundo diretor da Atlântida. Durante um certo tempo a atriz incorporou o Macedo no seu nome artístico. O novelista Sílvio de Abreu rendeu-lhe homenagens na telenovela “Feijão Maravilha”, 1979. Eliana, como o povo a chamava, morreu em 1990, aos 63 nos. Dentre seus quase 30 filmes, citamos: “Carnaval Atlântida”, “Samba em Brasília”, “Três Colegas de Batina”, “Amei um Bicheiro”, “Um Morto ao Telefone”.

FERNANDA MONTENEGRO – A grande dama do Teatro Brasileiro não nasceu em berço de ouro. Carioca de 1929, de origem humilde, trabalhava de dia e saía direto para o curso noturno. O salário ia para as despesas da casa. Em 1943, num concurso para a Rádio do Ministério da Educação, passa a trabalhar como redatora, locutora e rádio-atriz. O teatro chega no fim de 1949, quando conheceu o ator Fernando Torres, com quem casou e concebeu dois filhos: Cláudio (diretor de filmes) e Fernanda Torres (atriz). O cinema surgiu em 1965 com o filme “A Falecida”, baseado na peça de Nelson Rodrigues, prêmio de melhor atriz no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. Suas aparições cinematográficas mais marcantes são as de: “Eles Não Usam Black Tié” (novamente atuando com o diretor Leon Hirzman), prêmio Leão de Ouro, melhor filme, Festival de Veneza, 1981; “Central do Brasil”, 1998, foi melhor filme e atriz, Urso de Ouro e Prata, Festival de Berlim.

GLÓRIA PIRES – Desde menina ia aos ensaios e apresentações de comediante de rádio, teatro, cinema e TV, Antônio Carlos, seu pai. Em 1969, aos 6 anos, estreou na telenovela “A Pequena Órfã”, na TV Excelsior. Seu primeiro filme, 1982, “Índia, Filha do Sol”, ao lado de Nuno Leal Maia e direção de Fábio Barreto, com quem atuou novamente em “o Quatrilho”, 1995, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e “lula, Um Filho do Brasil”, 2009, no qual interpreta a mãe de Luís Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil. Dominando com desenvoltura o drama e a comédia, irrepreensível como dona Heloísa Ramos em “Memórias do Cárcere”, 1984, baseado no livro de Graciliano Ramos. Como a dondoca das comédias “Seu Eu Fosse Você” (1 e 2). Ou a solitária paulistana do ótimo “É Proibido Fumar”, ao lado do “Titã” Paulo Miklos, premiada no Festival de Brasília. Mas, o maior prêmio de sua carreira foi o comovido abraço, com direito a emocionadas lágrimas, entre a jovem e talentosa e a viúva do romancista, dona Heloísa.

HELENA RAMOS – Durante boa parte dos anos 1970/80, ela foi a bela da tela, a deusa dos desejos, a rainha dos prazeres, a força dos sentidos, a carne. Helena Ramos trabalhou no programa do animador Sílvio Santos e em 1970 fez “O Sequestro”, drama policial. Sua formosura a levou para filmes sensuais, ao todo, quarenta. Representou a heroína de José de Alencar, “Iracema, A Virgem dos lábios de Mel”. Outros títulos: “O Bem Dotado”, “O Homem de Itu”, “Mulher, Mulher”, “O Inseto do Amor”, “Mulher Objeto”.

IRENE STEFÂNIA – Musa urbana do Cinema Brasileiro, dona de uma beleza singular, branquinha com pininhas de sardas. Um encanto que só o cinema sabe extrair. Boa atriz, bons filmes, e um bom começo em 1966 com “O Mundo Alegre de Helô” e nos anos seguintes: “Garota de Ipanema”, “Lance Maior”, contracenando com Reginaldo Faria e Regina Duarte; “Fome de Amor”, que lhe deu o prêmio Air France, 1968. Esteve, dentre outros, em: “O Doce Esporte do Sexo”, com Chico Anísio; “Os Paqueras”; “Cléo e Daniel”, roteiro e direção do psiquiatra Roberto Freire. Fez telenovelas, deu uma parada para cuidar da vida familiar e do consultório de psicologia. Depois de quase dez anos retornou no drama social, “Anjos do Arrabalde”, como uma professora de escola pública, ao lado de Clarice Abujamra e Betty Faria, 1987. Voltou aos ensinamentos de Freud.

JOANA FOMM – Ótima atriz dramática, mas trafega com muita graça e leveza no teatro da comédia. Primeiramente fez televisão, 1959, e em seguida teatro. Sua ligação com o cinema foi com o drama policial dirigido por Watson Macedo, “Um Morto ao Telefone”. Além de boas interpretações na televisão, soma mais de trinta filmes, dentre: “Macunaíma”, “Todas as Mulheres do Mundo”, “As Armas”, “Césio 137, Pesadelo em Goiânia”, “Quem Matou Pixote?”, “Bebel, Garota Propaganda”, “Espelho de Carne”.

KÀTIA D’ANGELO – Após concluir o antigo curso normal, foi instrumentadora de uma clinica de cirurgia. Ao mesmo tempo entra num grupo de teatro amador e fazendo filmes publicitários. Seu primeiro longa é de 1974, “Deliciosas Traições do Amor”. Tem várias telenovelas e no cinema foi premiada em 1977, no Festival de Gramado por “Barra Pesada”. Alguns filmes em que trabalhou: “Marília e Mariana”, “A Extorsão”, “O Vampiro de Copacabana”, “O Caso Cláudia”, “Fulaninha”.

LEILA DINIZ – A musa de Ipanema, símbolo da mulher livre, mostrou uma foto, que se tornou um marco, de biquíni, sua gloriosa gravidez, uma barriga redondinha. A ousadia lhe custou uma “condenação” no programa Quem Tem Medo da Verdade, uma espécie de tribunal da Inquisição, comandado pelo diretor de cinema e TV , Carlos Manga, que vasculhava á vida dos “convidados”, num abominável moralismo de fariseus hipócritas e nojentos. Para completar a danação, os militares caçaram-na ferozmente, ladrando vociferando nas portas, salas e estúdios da TV Tupi. Não fosse a intervenção do apresentador de TV, Flávio Cavalcante, amigo e aliado do golpe militar de 1964, que a levou para sua casa, o que aconteceria a Leila Diniz nos porões da ditadura? Um detalhe. Leila gostava tanto da política quanto pingüim das areias escaldantes do deserto do Saara. Seu primeiro filme, 1966, “O Mundo Alegre de Helô”. Todavia foi com o terceiro filme , delicada porcelana de Domingos de Oliveira, “Todas as Mulheres do Mundo”, 1967, que veio a consagração. Dos quinze filmes que participou, eis alguns: “Edu, Coração de Ouro”, “A Madona de Cedro”, “Os Paqueras”, “O Homem Nu”, “Fome de Amor”. Aos 27 anos em 1972, morreu num acidente de avião. Ainda em vida ouviu o samba de Erasmo Carlos, “Coqueiro Verde”, que em um dos versos diz ironicamente: “E como diz Leila Diniz/ homem tem que ser durão…” O poeta Carlos Drummond de Andrade lhe dedicou poemas em vida e depois da morte.

MARÍLIA PERA – Uma artista completa: canta, dança e interpreta. Faz teatro, cinema e TV com extraordinária competência. Na tela grande começou em 1968 com a comédia “O Homem Que Comprou o Mundo”, dentre mais de vinte filmes. Em “O Rei da Noite”, 1975, parceria arrebatadora. Brilha conjuntamente com Hugo Carvana em “Bar Esperança”, “O Último Que Fecha”, 1983; marcante no painel notívago paulistano, “Anjos da Noite” e amarga e reprimida em “Tieta do Agreste”, 1986, sob a batuta de Carlos Cacá Diegues e a exuberância de Sônia Braga. Outro papel importante é o de “Central do Brasil”, porém o mais forte, sem sombra de dúvida, é o da prostituta decadente de “Pixote, A Lei do Mais Fraco”, 1980. Por sua estupenda interpretação recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos de Nova Iorque.

NORMA BENGELL – Nos shows do Teatro de Revista do produtor Carlos Machado, entre plumas e paetês, foi vedete e estrela. Em 1959, no filme “O Homem di Sputinik, registrou um momento antológico na cinematografia brasileira: a cena em que canta e dança para Oscarito, numa alusão a Brigitte Bardot. Foi um deslumbramento começo. A partir de então filmes determinantes em sua vasta carreira: “O Pagador de Promessas”, “Os Cafajestes”, “As Cariocas”, “Noite Vazia”. Pela sua beleza e talento é contratada por produtores italianos, tomando o destino da Europa. Depois de alguns filmes na França e Itália, retornou ao Brasil e hoje assinala mais de 50 filmes. Em 1988 estreou como diretora, “Eternamente Pagu” e em 1996 rodou “O Guarani”.

ODETE LARA – Com mais de 40 filmes na sua trajetória de atriz. Mulher belíssima, foi modelo e garota-propaganda na TV, ao vivo, pois ainda não havia o vídeo-teipe. Em 1955 entrou para o teatro e no ano posterior filmou a comédia “O Gato de Madame”, contracenando com Mazzaropi. Colecionou diversos sucessos: “Absolutamente Certo”, “Boca de Ouro”, “Bonitinha, Mas Ordinária”, “Noite Vazia”, “Mulheres e Milhões”, “Os Herdeiros”, “Copacabana me Engana”, “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, “A Estrela Sobe”. Neste, como uma cantora de rádio, canta a clássica “Nada Além”, de Custódio Mesquita.

PALOMA DUARTE – Jovem atriz, filha de Débora Duarte e do cantor Antônio Marcos. Neta de Lima Duarte. Atuou nos filmes “Os Dois Filhos de Francisco”, “Muito Gelo e Dois Dedos D’Água” e “Deus é Brasileiro” (ambos rodados em Alagoas) e “A Partilha”.

RUTH DE SOUZA – No firmamento das cintilantes estrelas da arte de representar, lá está ela, piscando, piscando. Em 1945, aos 24 anos, começa a longa caminhada pisando a ribalta do grupo Teatral Experimental do Negro, depois debuta no cinema com o filme “Terra Violenta”, adaptação do romance “Terras do Sem Fim”, do escritor Jorge Amado. Ingressa na Companhia Cinematográfica Vera cruz, onde fez vários filmes: “Ângela”, “Terra é Sempre Terra”, “Candinho”, junto com Mazzaropi, e o famoso e laureado “Sinhá Moça”, 1953, do qual sente orgulho. Outras produções: “O Homem Nu”, “Gimba”, “A Morte Comanda o Cangaço” e outro grande momento, “Assalto ao Trem Pagador. Também integrou o elenco de “Jubiaba”, ao lado de Grande Otelo, adaptação do romance de Jorge Amado.

SÔNIA BRAGA – Foi uma das mais estonteantes mulheres que brilhou nas telas dos cinemas do Brasil e do mundo. Há um episodio curioso. Alguns russos assistiram “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e levaram umas cópias para Moscou. Antes do filme ser exibido em salas russas, houve concorridíssima sessão prive para os velhinhos do Kremlin contemplarem a plástica da morena mais frajola de então. Dizem que a música “Tigresa” é fruto do romance entre ela e Caetano Veloso. Antes de completar 17 anos, 1967, começou a trabalhar na TV Record no programa O Mundo Encantado de Ronnie Von. No ano seguinte a sua aparição no cinema em “O Bandido da Luz Vermelha”. E foram surgindo filmes de grande aceitação popular: “O Casal”, “A Dama da Lotação”, “A Moreninha”, “Eu Te Amo”, direção de Arnaldo Jabor. Sua beleza foi o passaporte para os Estados unidos pelas teias de “O Beijo da Mulher Arranha”, 1984. Nos EUA atuou ao lado de Robert Redford em “Rebelião em Milagro”; com Clint Eastwood em “Rookie”; contracenou com Richard Dreyfus e Raul Julia em “Luar Sobre Parador. Foi a atriz que mais interpretou personagens de Jorge Amado: “Gabriela”, ao lado do ator italiano Marcello Mastroianni; a “Tieta do Agreste”, na versão de Cacá Diegues; e a saborosa quituteira “Dona Flor”.

TÔNIA CARRERO – Se Frank Sinatra foi chamado de The Voice (A Voz), Tônia Carrero pode ser denominada The Face (O Rosto). Será que ela tinha um espelho mágico? A bruxa má desistiu de perguntar: “Espelho, existe alguém mais bonita do que eu?” E o Espelho: “Sim, em Soa José dos Campos, SP, nos estúdios da Vera Cruz. O nome dela… Não, gritou a malvada. Desconsolada e impotente, disse: “Eu já vi seus filmes…” O rosto casou-se novinha, 1938, e teve um único filho, o diretor Cecil Thire. Seu primeiro filme é de 1945, “Querida Suzana”, ao lado de Anselmo Duarte. Os dois voltariam pela Vera Cruz, em 1952, “Tico-Tico no Fubá”, sobre o compositor Zequinha de Abreu. Pela mesma companhia: “È Proibido Beijar”, “Apassionata”. Fez teatro, televisão e seu rosto sempre encantando. Também tinha um belo corpo, pois se formou em Educação Física.

VANJA ORICO – Filha de diplomata recebeu educação especial na Itália e outros países por onde o pai passou. Por cantar músicas regionais e do folclore brasileiro surge em 1950, aos 21 anos, no filme de Fellini, “Mulheres e Luzes”, cantando “Meu Limão, Meu Limoeiro”. No mais marcante de seus trabalhos na tela, “O Cangaceiro”, canta a toada “Sodade, Meu Bem, Sodade”, um dos momentos mais bonitos. Dentre seus filmes: “Lampião, Rei do Cangaço”, “O Santo Milagroso”, “Independência ou Morte”, “Ele, O Boto”.

XUXA MENEGHEL – Foi modelo e após posar nua para revista masculinas (Ele e Ela, Status, Playboy) participou do bom filme adulto e não pornô, do diretor Walter Hugo Khouri, “Amor Estranho Amor” (1982), entre atores de primeira linha: Vera Fischer, Tarciso Meira, Inis Bruzi e Mauro Mendonça. Mas tarde entrou com um processo judicial proibindo o lançamento em VHS. Recentemente o processo e o veto em DVD. Mas, para a rapaziada “pai-de-santo” baixá-lo da internet é pinto.

YONÁ MAGALHÃES – Atriz de teatro, TV e muito pouco cinema. Fez: “Alegria de Viver”, “Pista de Grama”; “Society em Baby Doll”, “Opinião Pública”, de Arnaldo Jabor. Seu melhor filme e melhor desempenho em toda sua carreira é o de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Ela interpreta Rosa, a mulher do vaqueiro Manuel, perdidos e alucinados entre o misticismo religioso e a crueldade insana do cangaço. Magnífica como uma personagem do clássico Teatro Grego.

ZEZÉ MOTTA – Ela é uma artista completíssima. Ela dança. E como. Ela canta. E muito bonito. Ouça seus discos. E interpreta muito bem, seja comédia ou drama. E tanto pode ser teatro, TV ou cinema. Ela e Milton Gonçalves, juntos em “Orfeu”, são deuses do Olimpo. Começou em 1967, aos 23 anos, atuando na peça “Roda Viva”. Dois anos depois, o cinema: “Em Cada Coração um Punhal”. O despontar veio no furacão afro-mineiro de “Xica da Silva”. E haja bons filmes: “Tudo Bem”, “Anjos da Noite”, “Quilombo”, “Dias Melhores Virão”, etc. viva Zezé, com as forças do Xangô no Cinema Brasileiro.


ISSN 2238-5290