Enxergar o fato é não acreditar nele.

Os novos ventos acariciam o mundo com uma nova esperança.

Ai daquele que negligencia a força da repetição, o lastro de uma oportunidade.

Na brevidade de um diálogo, mais uma vez cria-se um novo mundo, um universo de constatações que testificam o decorrer da jornada, documentam uma versão dos fatos, ampliando os danos e confirmando o ecoar das vozes.

Um gesto de câmera: percorre-se o perímetro de 360° ao redor dos oficiais que lêem o relatório de Irimiás.

Gênese.

Tal movimento, realizado inúmeras vezes no decorrer da jornada, ganha aqui ares de conciliação, de restauração da paz ou do infortúnio da crença.

Com imagens pendulares e variações de sinuosidades, Sátántangó delimita novos sentidos para o posicionamento dos planos, agenciando o equilíbrio entre o caos e a estabilidade, configurando dois núcleos distintos: o centro da imagem e o centro para a imagem; o que pode ser bem representado no momento em que os oficiais trabalham, quando importam, em fator de diferença, para a câmera e na maneira como se apresentam a ela.

A verdadeira justiça só se faz com a totalidade do fato.

Para alcançar o todo é preciso ter o controle da luz.

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ISSN 2238-5290