Condenação (1987, Béla Tarr)

A obsessão que leva à condenação. Talvez seja o que melhor descreva o filme Kárhozat.

O amante que é traído por seus próprios sentimentos é o que demonstra Béla Tarr sob o belo preto e branco fotografado do ambiente úmido e sólido da Húngria. Ambiente este que Miklós Jancsó saberia utilizar-se tão bem ao retratar os duros fatos mais recentes do país.

Kárhozat exibe o drama de um amante obcecado por sua amada, esta é uma mulher liberta de qualquer dependência humana, utiliza o que pode dos homens em que se relaciona. O amante passa a receber avisos sobre as intenções da amada de uma estranha mulher. A partir disso Tarr nos envolve numa trama sobre solidão nos dando um ambiente frio, tanto natural quanto humano.

Os letreiros já desgastados do decadente bar, freqüentado por personagens que procuram na bebida e no melancólico blues uma fuga rápida de suas respectivas existências. A adúltera condena o amante com sua frieza e seu duro amor, levando-o ao fundo de sua existência na mais dura solidão.

Nuno Balducci


ISSN 2238-5290