A Vida dos Peixes (2010, Matías Bize)

Mais uma vez o chileno Matías Bize investe no desenvolvimento de seu cinema de uma só nota. Uma idéia, um estilo, um ritmo que se desenvolve monocordicamente por toda a duração fílmica, fazem de A Vida dos Peixes o novo desafio do diretor. Mas cumprir um desafio não significa vencê-lo. A pequenez desejada para o enredo e a estética adotados termina por limitar A Vida dos Peixes a um cinema tão pequeno, mas tão pequeno, que não é possível apreender nada em sua totalidade. Não temos em todo o filme nenhum corpo inteiro, nenhuma ação/reação total, e o que pode, para alguns, soar como ousadia de encenação, também pode representar a incapacidade de Bize em trabalhar integralmente o sentimento, emoções que se pretendam plenas, mas não encontram espaço para isso. O aprisionamento proposto aos seus personagens, de tempo e espaço (uma noite, uma festa), deixa de ser explorado em sua potencialidade cênica, permitindo que em pouco mais de 15 minutos seja possível prever cada plano futuro do filme, pois não há variação, mudança de perspectiva ou diversidade de olhar em nenhuma das pseudo-progressões narrativas espalhadas pelo enredo (diálogos com personagens que surgem para tentar desvelar mais da vida que o protagonista teve). Justificar tais carências no simbolismo estéril de associar os personagens aos peixes de um aquário, pelo acerto e pelo erro, comprova a impossibilidade de liberdade a que o próprio filme se propõe assumir. E se é nocivo aprisionar uma vida dentro de uma redoma de vidro, também não é de bom tom condenar uma imagem de cinema a um mesmo lugar comum, imutável, incontornável, vazio.

Fernando Mendonça

Fevereiro de 2011


ISSN 2238-5290