Duas estórias

A pergunta vem-nos; é inevitável. Basta que haja a morte de alguém conhecido: E se…

A dor e a pergunta vem-nos; não se pode evitar. Basta que haja a morte de alguém próximo afetiva ou fisicamente: E se eu…

Aí então nos tornamos um Deus dentro da esfera cogitativa; perturbamos a dinâmica do tempo; regulamos as intricâncias emocionais que pertencem a outros organismos.

Não por Acaso (2007), filme de Philippe Barcinski, conta-nos duas estórias, e nas duas, no limiar de cada uma, devassa o mito do Deus na esfera ativa, para então, por consequências guiadas pelo sofrer, o devassar na cogitativa.

O diretor faz isto através de duas metáforas que abarcam os dois homens, pois são as suas profissões. Homens embarcam em suas estórias, pois são suas vidas.

Controlar o trânsito? Veículos onde estão pessoas sorvidas pela constelação dos princípios da carne mais do que por regras que regem o trânsito. É que tais regras fazem parte do hábito; e seja qual for o hábito, construído ou não através da obrigatoriedade, ele é preterido pelo sentimento abrupto, pois o seu principal signo é o círculo, o que volta sempre, quem sempre estará lá… enquanto que o signo que nossa percepção determina para o sentimento abrupto é o da linearidade, o que irá sem volta, quem não está lá…

E a sinuca? Controlá-la? No trânsito há inúmeras pessoas; nesse jogo, que é a sinuca, apenas duas. Talvez seja possível…

Bruno Rafael

Março de 2011


ISSN 2238-5290