As Criaturas Atrás das Paredes (1991, Wes Craven)

Em As Criaturas Atrás das Paredes, Wes Craven, para realçar o eixo de tensão, nos coloca ante um dueto dramático fora da trama principal: a mãe do protagonista está com um câncer, cuja cura exige grande quantia de dinheiro; além disso, ele e sua família estão prestes a ser despejados do local onde moram. Vestindo isso num campo onde são deduções que forçam o saber necessário, poder-se-ia vislumbrar (ver) tudo: que é na casa habitada pelas criaturas que ele irá conseguir os recursos para o zelo de sua família.

Vislumbrar porque a expectativa, posta em frinchas de fertilidade, sempre nasce – umas ocasiões confinando a esperança num merecimento cujas fórmulas não se convertem em profecias merecedoras; outras pacificando o masoquismo para a precisão. Apesar de abraçarmos uma condenação prévia calcada em preconceitos, somos todos comparsas dum ego que só utiliza a satisfação quando observado, e dum ego que, muitas vezes, se quer conquistado quando a sós, quando única testemunha dos percalços de sua sagacidade, pois a matéria que escuda é renegadora de prazeres, e existe no ganho advindo dos prazeres proclamadores de sua parva inexatidão uma vertente onde se ameniza a culpa e se finaliza a vergonha de perder-se em equívocos.

Ver porque, enfim, tudo já vimos: o morno susto e o medo enclausurado em suas inspeções glaciais; até onde o sangue verte, administrando-se. E até onde o herói chega, herculano. A infância de Hércules.

Bruno Rafael


ISSN 2238-5290