Abecedário – filmes

PEQUENO ABECEDÁRIO DE FILMES

Uma listagem de filmes por ordem alfabética é absolutamente evidente que muitos títulos expressivos da centenária história da Sétima Arte (serão completados 115 anos em dezembro próximo) ficarão de fora. È natural. São apenas vinte e seis letras. Em listas superiores que esta há ausências sentidas quanto a de um ente querido. Mas com já afirmou o ilustre senhor escritor Graciliano Ramos, “mexa-se no espaço existente para aos poucos aumentá-lo”.

A motivação deste abecedário, que acabou por motivar outras cinco “Listas de Schindler” (diretores estrangeiros, brasileiros, atores e atrizes) foi um quadro do programa “Com Estilo”,sábado à noite na TV Pajuçara, sob a competência e o charme discreto do jornalista James Silver.

Que estas pequeninas seleções de filmes, como também as outras subsequentes, façam com que o leitor chame a família e amigos e curtam cada um sua lista preferida. Neste roll, todos os apresentadores são iniciados pelas letras correspondentes.

De uma coisa pode ter certeza, caro leitor, todos foram vistos, apreciados e guardados no coração e na luminosa tela da retina dos meus olhos. Agora é com você. A… B… C…

Elinaldo Barros

ACOSSADO- filme francês de Jean Luc Godard, mais polêmico diretor do movimento Nouvelle Vague. Na trama, um casal moderno interpretado por Jean Paul Belmondo e Jean Seberg – ele é um golpista que acidentalmente mata um policial e ela uma jornalista.


BONEQUINHA DE LUXO- comédia romântica dirigida com brilho e mordaz ironia por Blake Edwards. Estrelado por George Peppard e Andrey Hepbum .Ela é uma jovem frívola e num momento do filme canta ao violão a clássica “Moon River”.


CASABLANCA- está no panteão dos grandes filmes do cinema. Uma história de amor, um drama de guerra, uma canção inesquecível (“As Time Goes By”), os atores Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.Por sinal a bela atriz nascida na Suécia tem uma sósia em Maceió, a jornalista e atriz Aline Martins.


DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL- grandioso e operístico filme de Glauber Rocha, misturando uma narrativa Barroca com elementos do gênero faroeste à literatura de cordel, em que os personagens centrais, o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) e sua mulher (Yoná Magalhães) são tangidos sertão nordestino a fora. Na saga ensolarada há duas opções: o misticismo fanático-religioso liderado por um beato (Lídio Silva) e o cangaceiro ensandecido Corisco (Othon Bastos), sob os acordes de repentes de viola e sinfonias de Villa Lobos.


ERA UMA VEZ NO OESTE – O cineasta italiano Sergio Leone mexeu ousadamente no gênero por excelência do cinema norte americano de Hollywood, o westen. Dirigiu “Por Um Punhado de Dólares” e “Por uns Dólares a Mais”, nos quais despertou Clint Eastwood. Neste faroeste-painel agrupou Claudia Cardinalle, Jason Robards, Charles Bronson, Henry Fonda, tudo pontuado pelos acordes musicais de Ennio Morricone.


FARRAPO HUMANO – filme de um dos maiores diretores e roteirista de Hollywood, Billy Wilder. Pungente drama sobre o vício do alcoolismo. Destaque para o ator Ray Milland.


GRITOS E SUSSURROS – O mestre sueco Ingmar Bergman mergulhou psicanaliticamente no universo de um grupo de irmãs.


HIROSHIMA MEU AMOR – célebre obra do cineasta francês Alain Resnais, sobre dos amantes marcados pelos horrores da guerra, Eiji Okada e a musa Emanuelle Riva.


KING KONG – um dos maiores espécimes do cinema espetáculo, realizado em 1933 por Merian Cooper, com a atriz Fay Wray, a bela que encanta fera ganhou versões modernas, uma com Jessica Lange no topo das torres gêmeas do World Trade Center. A recente versão dirigida por Peter “O Senhor dos Anéis” Jackson segue a original, com o gorila no alto do edifício Empire States.


INTRIGA INTERNACIONAL – uma das obras-primas do grande mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Cary Grant, equivocadamente, é perseguido por uma misteriosa organização. É estupenda a sequência da estrada deserta,o milharal e o avião espargindo veneno.


JUVENTUDE TRANSVIADA – O diretor Nicholas Ray capta um jovem problemático com a família e sua incursão a um grupo de jovens rebeldes sem causa. O ator James Dean começou sua mitologia hollywoodiana com este filme que também tem as presenças de Dennis Hopper, Sal Mineo e a doce Nathalie Wood.


LUZES DA CIDADE – é uma belíssima comédia dramática do genial Charles Chaplin, feita preferencialmente para rir e chorar. Arranca boas gargalhadas o Vagabundo na luta de boxe com uma coreografia magistral. E comove no re-encontro com a florista cega.


MEMÓRIAS DO CÁRCERE – um dos momentos mais inspirados na carreira do cineasta Nélson Pereira dos Santos, numa feliz adaptação do livro homônimo do escritor alagoano Graciliano Ramos. No elenco perfeito-Gloria Pires, Jofre Soares, Anilda Leão, Gustavo Leite, Chico de Assis e Carlos Vereza em magistral desempenho como o grande autor, preso pela ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas.


NOSFERATU – o alemão Werner Herzog tomou como base o antigo filme de Friendrick Wilhelm Murnau, de 1922 e imprimiu um toque operístico no gênero do terror. O regente Herzog convocou o ator Klaus Kinski para interpretar o sinistro vampiro, além das presenças de Isabelle Adjani e Bruno Ganz.


ONTEM, HOJE E AMANHÃ – três histórias reunidas num filme dirigido por Vittorio De Sica, mesclando humor e leves toques dramáticos. Dois ícones do cinema italiano dão o suporte interpretativo: Sofia Loren e Marcello Mastroianni.


PASSAGEM PARA A ÍNDIA- é uma portentosa obra do cineasta inglês David Lean, autor de “A Ponte do Rio Kwai”, “Doutor Jivago”, “Lawrence da Arábia”, “A Filha de Ryan”. Era um magistral regente de grandes espetáculos. Produzido em 1981, seu último filme, nos revelou os choques políticos e culturais entre ingleses e hindus.


QUANTO MAIS QUENTE MELHOR – esta produção de 1960 sob a direção do talentoso Billy Wilder foi escolhida como a melhor de todas as comédias da história do cinema. Jack Lemmon e Tony Curtis se enrascam com gagsters, uma orquestra de mulheres na qual está Marilyn Monroe.


RASTROS DE ÓDIO – este é o faroeste Poe excelência do cinema norte-americano. Saga familiar, choques raciais, um herói trágico, amargurado, dividido entre as ligações familiares e o preconceito arraigado. John Wayne e Jeffney Hunter procuram obstinadamente uma garota raptada pelos índios. Outra obra prima do magnífico John Ford.


SEM DESTINO- pequena produção de 1969dirigida a quatro mãos por Dennis Hopper e Peter Fonda, que também atuam. Mais conhecido pelo título original, “Easy Rider”, foca sua lente nos efervescentes anos 1960 com a contracultura, o movimento hippie, motos, drogas e rock and roll.


TUBARÃO – segundo longa de Steven Spielberg para o cinema, 1977, após uma fase na televisão. Drama de suspense de verão, com Roy Scheider, Richard Dreyfus e Robert Shaw.


UM DE NÓS MORRERÁ- faroeste psicanalítico dirigido por Arthur Penn (pai do ator e diretor Sean Penn), sobre o pistoleiro Billy The Kid, interpretado por Paul Newman.


VIRIDIANA – direção do surrealista e iconoclasta, Luis Bunuel, cineasta espanhol, amigo do pintor Salvador Dali e perseguido e banido pelo ditador-generalíssimo Franco. É autor de filmes inquietantes: “O Anjo Exterminador”, “O Discreto Charme da Burguesia”, e, dentre outros, “ A Bela da Tarde”(La Belle de Jour), com Catherine Denever.


WINCHESTER 73 – faroeste dirigido por Anthony Mann em 1950. James Stewart em busca de um rifle Winchester enfrenta índios e bandidos. No elenco dois jovens iniciantes e desconhecidos: Tony Curtis (soldado da cavalaria) e Rock Hudson, chefe guerreiro indígena.


XANADU – musical adolescente dos anos 1970, com a atriz e cantora Olivia Newton-Jonh seguindo os sons, os tons, ao toques e os passos do êxito “Greese, No Tempo da Brilhantina”.


Yellow Submarine- desenho animado criativo, bonito, pacifista com a presença dos Beatles e suas músicas.


Z – a última letra do alfabeto é o título do filme dos anos 1960 do cineasta greco- francês, Constantin Costa Gavras, de filmes políticos e polêmicos, fustigando ditaduras da esquerda (“A Confissão”,com Yves Montand), da direita(“Missing,Desaparecido”,com Jack Lemmon), a igreja católica com o colaboracionismo com o nazismo (“Amém”).O filme “Z” revela o golpe militar dos anos 1960 na Grécia. No elenco, Yves Montand, Jean Louis Trintignant.

Junho de 2010


ISSN 2238-5290