A Maldição dos Mortos-Vivos (1988, Wes Craven)

Durante quase todo o filme de Wes Craven, A Maldição dos Mortos-Vivos, as contorções que estarressem e desorientam o protagonista são requisitadas por um plano onírico determinadamente absorvedor. Cada sonho daí surgido rivaliza com a sinuosidade no plano do real. Nesse atrito, o mérito pelo qual se busca é aquele que subentende a habilidade de armar, por meio da justiça do vigor atmosférico, uma cumplicidade com o cerne da temática.

Assim, tem-se o real que produz temor, e o onírico que produduz pavor.

Se há um mérito que chegue a reluzir em entre as várias opacidades do filme é precisamente esse: apresentar tais poluas sem uma tradução desequilibrada de suas energias: o plano do real é pura e simplesmente onde o protagonista digere sua coragem no sentido aventuresco que muito experimenta por pouco observar imperias provas dele. Quando, porém, experimenta um pouco, porque raro, e até muito, porque pungente, ele acovarda-se, suplica, embebe-se em chorumelas, pois, afinal, homem ele é: sonhos ele tem – que o incomodam, acomodando-lhe.

Bruno Rafael


ISSN 2238-5290