Quadrilha de Sádicos 2 (1985, Wes Craven)

Interessante: a quadrilha de sádicos se resume a dois sádicos e apenas a menção de outro. Dois: uma dupla emblematizada pelo terror de situações esvaziadas tanto menos da potencialidade física quanto mais da lendária – e essa última potencialidade não por que a crença na existência das criaturas perpassa a mente de todos, mas porque perpassa por dois personagens (mocinhos: um animal e uma mulher) a mémoria aterrorizadora do passado.

A ação (entenda-se ação como o embate entre bandidos e mocinhos), que aqui se mostra escassa, recebe da lembrança que acarreta uma intimidade tão aflitiva que destila nos dois polos – bandidos e mocinhos – constrangimentos escoltados pelo esquecimento e sitiados pelo trauma; por consequência, a recorrência do presente é um distanciamento do aspecto divisório do filme – de lá bandidos, e de cá mocinhos.

Consignada essa coreografia deturpada, mas válida, nota-se: os tremores e suores que os mocinhos vivos sentem são frutos mais dos outros mocinhos mortos.

Do outro lado (ou do mesmo, que já não é tão o mesmo), as repressões que se afiguram nos bandidos são frutos da falta de aptidão para o companheirismo imagético, ou melhor, nem em imagens cruciais os dois estão juntos, como se fossem eles os mocinhos.

Bruno Rafael


ISSN 2238-5290