Um pretenso experimento tão-só meu…

Ao assistir os filmes de Maya Daren escrevi inúmeras meditações acera deles. Meu intento ao fazer este artigo foi dar vazão a essas ideias, cujo conteúdo e a forma se acham sem tratamento lapidar, incompletos e a revelar até uma preguiça mental. Tais ideias ficaram dispostas assim como foram concebidas: virginais, ventiladas pela espontâneidade, e também enfraquecidas pela mesma.

Acompanhá-las-ão observações, ora sobre prováveis complementos a elas, ora sobre prováveis equívocos. isso dentro dum estofo de colagens, onde todos os filmes estão pensados, mas nenhum deles indentificáveis por título.

Anotações

* A profundidade dos planos é utilizada de forma maiúscula para explanar simbolismos.

OBS: Talvez isso esteja incompleto, pois parece haver uma outra maneira de gerir a profundidade dos planos.

* Não é a exibiçao duma coreografia, mas sua gênese, ou um ensaio para aperfeiçoá-la.

OBS: Gênese que se confunde ou não com o ambiente?

* Arquitetura dentro da sofisticação da memória na busaca da construção dum agora dominado, mas um tanto esquivo. Aqui, o experimento de Maya sustenta todo um argumento de interioridade.

* O absurdo persistindo na poeticidade de suas possibilidades.

OBS: Mas até onde o absurdo vai para que issso aconteça? Onde ele primeiro se debate? O absurdo parece sair duma camada de sonho, mas seu dever vai além do dever do sonho, aqui, pois experimenta algo do real que se quer coerente. (real que se quer coerente talvez por analogias?).

* O fechar dos olhos pela fadiga que invoca a figura da morte.

OBS: ou será o fechar dos olhos pelo trejeito?

* Os planos paralelos que mostram ambientes distintos sendo encarados da mesma forma força a metamorfose a gerir o experimental, de modo que na construção imagética se estende uma coerência poética e uma digressão estetica.

OBS: Atentar para isso nos outros filmes.

* A música não requer a plenitude da dança e possui parca cumplicidade com cortes.

OBS: Isso pode estar intimamente relacionado com o fato do poder ambiental que a música carrega como sugestão.

* a morte se afasta de sua atualidade poética com um passado de metáforas.

OBS: Desenvolver mais este tópico.

* O que fica além do sonho? O desejo, pois este é quem pode auxiliá-lo, filtrando para ele a realidade. Aqui, Maya está além do sonho, e quando, mesmo assim, ele irrompe, é abandonando os lapsos do absurdo, pois já tem partes num exterior.

OBS: Captura do instante em que o sonho está a realizar-se? fúria desse instante, que rechaça a prontidão donde se quer realizar.

* Os objetos vão se distanciando ou aparecendo conforme a precisão do fio condutor, e isso faz com que caiba na situação que se segue o mais puro inopinado.

OBS: Toda situação que se segue parece sempre guardar um local cúmplice para algum paralelo.

* Cortes bruscos fazem multiplicar o fio condutor e garantem um retorno irrefletido para certas situações.

OBS: interessante isso. Desenvolver esta ideia.

Bruno Rafael


ISSN 2238-5290