A crítica invisível

Parece impossível evitar. Afrontar os desafios que se configuraram ao longo de praticamente toda a história da crítica cinematográfica em Alagoas não é somente uma necessidade e uma responsabilidade, é antes de tudo, uma obrigação. A crítica que se “pratica” no meio jornalístico alagoano é uma crítica anêmica, hospedada nas incertezas de pensamentos incontestadoramente desprovidos do pensar cinematográfico.

Muito da causa desses pensamentos anêmicos quando o assunto é cinema, desenvolve-se porque os responsáveis pelos textos são geralmente “editores de cultura”, que escrevem sobre literatura, música, pintura e cinema, mas nunca num nível suficientemente estudado para que o texto possa, sem devaneios ou preconceitos, ser considerado uma crítica cinematográfica (mas então, o que é a crítica de cinema? Tudo, menos o que é visto nos jornais alagoanos).

A invisibilidade do autoral ou até mesmo do jornalístico, é o reflexo mais forte dentro do padrão cultural dos Jornais de Alagoas (Gazeta, O Jornal, Tribuna). A reflexão do pensamento cinematográfico, a necessidade de um olhar mais amplo, que não faça concessões ao que seja anticinema, ao que minimiza o raciocínio dentro e fora do filme, nunca foi possível de ser visualizado dentro dos jornais do estado. Os editores são demasiadamente sinópticos para poderem esbravejar seus descontentamentos num nível cujo olhar crítico salte aos olhos logo ao primeiro parágrafo ou para convencer de que o filme analisado merece, realmente, ser visto despido de (pre)conceitos que talvez limitem seu entendimento.

Não que o Filmologia nasça como salvador da pátria (ou melhor, do estado) ou qualquer outra definição heróica, mas há muito que a instituição da crítica de cinema em Alagoas merecia (mesmo que num alcance virtualizado) novas soluções para combater essa invisibilidade de pensamento, e de certo modo, o site/revista vem preencher esse vazio decênico que regou o jornalismo em Alagoas.

Então é precisamente por essa tentativa de combate, que o Filmologia inicia-se como parte de um processo fílmico (porque a crítica ajudou o cinema a se desenvolver tanto quanto o próprio cinematógrafo/câmera) em contínua evolução, cujas dimensões alcançadas com o passar do tempo, ajudarão os editores e colaboradores a abrir seus respectivos horizontes, contemplar e alcançar perspectivas maiores e mais maduras, onde o objeto-vida a ser estudado será sempre o cinematizante. Porque tão importante quanto ver cinema é pensar cinematograficamente.

Ricardo Lessa Filho

Junho de 2010


ISSN 2238-5290