L’Enfant Secret (1979, Philippe Garrel)

Fragmentos de um romance são confundidos com a produção de um filme nessa inusitada obra de Philippe Garrel. O título em si já é um enigma em meio às transformações vividas por seus personagens. A principio a idéia de filho parece clara com a materialização da criança envolta por segredos, mas os rumos ou os fragmentos da história que surgem em tela nos colocam em xeque. O que seria ali a representação do filho do título?

Logo de inicio nos deparamos com figuras que parecem não pertencerem ao rumo do filme. Mas daí surgem cenas que parecem ser projeção de acontecimentos passados. É como se o protagonista dirigisse sua própria história e todas as pessoas que o circulam, incluindo também aí o seu relacionamento amoroso.

A idéia que Garrel passa é que L’Enfant Secret é definitivamente um racha em sua obra, o que nos remete muito a Persona, de Bergman. É um novo começo, assim como o próprio personagem ressurge diversas vezes no filme em diversos estados emocionais e até mentais. Tudo isso é envolto numa grande seqüência de idéias em que se confunde o protagonista diretor com o próprio diretor do filme “fora do filme”, o próprio L’Enfant Secret de Garrel.

Seria então o protagonista uma representação do próprio diretor. A partir daí encontramos significado do início do filme e da foto filmada por segundos, além de todo o conflito do personagem central numa luta política, sentimental e criativa.

Nuno Balducci


ISSN 2238-5290