Velocidade Máxima (1994, Jan de Bont)

Dentro da confiança na velocidade, típica ao cinema americano, Speed é das melhores finalizações que o gênero pipoca legou na urgência de suas bilheterias. Imagem da diversão em absoluto, Jan de Bont assina com seu primeiro e melhor filme o apogeu de um perfil comercial que não pode jamais ser acusado de romper com a integridade do cinema. Movimento de puro clímax, Speed é a excitação do tempo que não se perdeu, a continuidade perpétua dos acontecimentos; autoconsciente de sua duração, preocupado com o ininterrupto preenchimento de cada frame, eis um trabalho que radiografa o que há de essencial na imagem narrativa, um filme gerúndio. No embate cronométrico do tempo, deste relógio que não pára e da bomba que não explode, Speed soluciona de maneira quase hitchcockiana (em especial o Hitchcock de Sabotage) o que incontáveis outros filmes de ação terminam por falsificar: uma questão de mise en scène. Se De Bont insiste em colocar seus personagens à beira da catástrofe é porque toda sua concepção cinematográfica opera diante de um abismo – gesto confirmado pelo seu filme seguinte, Twister (1996), outro grande exercício de gênero. Abismo de resoluções que só podem ser definidas/filmadas no âmbito da sobrevivência, já que tudo em seus filmes parece lutar contra a aproximação iminente da morte. E daí a honestidade que posiciona o cinema de ação como um núcleo de vida a ser defendido por cada imagem capturada; um cinema que abre mão de criar mundos para preservar outras configurações imediatas e sob o risco de perecer. O explodir da bomba em Speed não significa a derrocada do dispositivo (tanto que mais um ato dramático toma forma em seguida), do contrário, consiste na reafirmação do pathos, da catarse, do que faz a imagem cinematográfica continuar a ser um espaço ativo para o habitar do tempo. Porque ele não pára.

Fernando Mendonça


ISSN 2238-5290