Difícil de Matar (1990, Bruce Malmuth)

Vingança “seagaliana”

- Querido? O que tem aí? Champagne? – Kelly LeBrock, antes de morrer.
- Dizem que é afrodisíaco. Quer experimentar? – Steven Seagal, antes de entrar em coma.

Segundo longa-metragem de Seagal, Difícil de Matar faz o ator se inventar a si mesmo dentro de um personagem duro, varonil, seguro de si e, de certo modo, imortal. História clássica de vingança, um tema recorrente e funcional que na figura de seu protagonista justifica toda a incoerência da imortalidade de seu corpo físico. Seagal é como Chuck Norris: um mito ultracompreendido dentro da mitologia cinematográfica e por assim ser, seria incoeso transformar sua figura em algo mortal, efêmero dentro da narrativa aguda, essencialmente de ação – e a morte de qualquer um de suas dezenas de personagens de algum modo romperia essa aura imbatível, por isso eles jamais podem morrer, jamais morrerão. Um dos últimos heróis americanos do estilo, Seagal em sua técnica de atuação – e de ação – limitada e característica (justo aquilo que o torna um “ícone”) legitima o filme de ação para televisão como poucos outros um dia conseguiram.

Ps: embora nos créditos finais apareça o nome de Bill Sadler, na realidade é William Sadler, (co)protagonista entre outras películas de Duro de Matar 2 (Die Hard, 1988), de John McTiernan e de Os Demônios da Noite (Tales from the Crypt: The Dark Night, 1995), de Ernest R. Dickerson.

Ricardo Lessa Filho


ISSN 2238-5290