Karatê Kid (1984, John G. Avildsen)

Golpe no tempo

O segredo está em não ver Karate Kid como uma película de artes marciais, pois no fundo é bem mais importante do que as brigas que nela emergem: a relação paterno-filial entre um velho sem família e um adolescente sem pai; o pequeno romance entre este e a bela Elizabeth Shue (narrado de forma convincente, sem excessos adocicados); certas cenas são inesquecíveis, como a mítica patada da garça e os amanheceres na praia, fazendo com que o filme permaneça, mesmo após revisitações em décadas diferentes, como um dos grandes momentos em que a própria imagem da infância torna-se possibilitada ao reencontro, quando somos mais velhos, mais rodados. É um retorno imaculado à memória e uma enorme conquista rever Karate Kid tantos anos depois e ele ainda permanecer acessível aos olhos com as mesmas qualidades que o filme possuía quando era exibido nas tardes da Globo.

Ricardo Lessa Filho


ISSN 2238-5290