O Monstro do Armário (1986, Bob Dahlin)

Armários destruídos

O Monstro do Armário tem no dispositivo do olhar a própria arquitetura do afeto que lhe é essencial: o alienígena, muito longe da compreensão humana, não hesita em levar novas vítimas para dentro do armário e lá retalhá-las, porque essas mesmas vítimas o temem, o transformam num monstro muito maior do que ele realmente é (e talvez o nascimento dele tenha sido alguma criação desconhecida baseada na distância de afeto da humanidade, porque o homem não conscientizado de afeto torna-se alienígena, anti-humano). E (somente) quando Clark (Donald Grant; que assim como o xará mais conhecido – o Kent – e com super poderes é jornalista e de certo modo, um tipo de super-herói) olha para esse monstro (vislumbrando ali algo além da fisionomia assustadora), descobrimos essa necessidade desesperadora que ele tem em se comunicar: pela primeira vez o monstro teve alguma interação afetiva, algum momento aonde ele conseguiu compartilhar toda aquela angústia de não somente ser um ser abominável para a humanidade, mas também por não poder viver em outro lugar que não fosse um armário – e nisso reside aquele tipo de atitude só possível num filme como O Monstro do Armário: um dos personagens pede em cadeia nacional que todos os armários dos E.U.A sejam destruídos, porque neles residem de uma forma inexplicável, a “substância” que mantém o monstro vivo (mas talvez os armários tivessem sido a única forma de que o monstro possuía em não ser visto, odiado, repudiado).

Ricardo Lessa Filho


ISSN 2238-5290