Mostra Cassavetes: o pai do cinema independente norte-americano

John Cassavetes foi um ator e cineasta norte-americano que criou um estilo próprio e quase artesanal de fazer cinema, unindo orçamento reduzido, produção independente e uma equipe quase fixa de técnicos e atores. Em Nova Iorque, quando era professor de atuação em teatro, teve a idéia de escrever e dirigir um filme sobre improvisação. Surgiu então Sombras (1956), elogiado na Europa e que apesar de rejeitado pelo público americano, despertou o interesse de Hollywood. Em 1968 adaptou uma de suas peças teatrais e produziu seu segundo filme independente, Faces (considerado uma síntese de seu estilo), onde utilizou diversas câmeras e criou uma atmosfera de improvisação para contar uma história de busca e desencontro a partir da vida de alguns casais. Nos anos 70 produziu três grandes obras-primas: Uma Mulher Sob Influência (1974), com Gene Rowlands interpretando brilhantemente uma problemática incompreendida dona de casa de classe média-baixa dos EUA. A Morte de Um Bookmaker Chinês (1976), com Ben Gazzara interpretando um dono de um clube de strip. E Noite de Estréia (1977), história de uma atriz em crise por ter visto uma de suas fãs morrer,onde Cassavetes, Rowlands e Gazzara trabalharam juntos.

Local: SESC CENTRO – Maceió
Horário: 19h
Dias:01, 08, 15, 22 e 29 de julho
Entrada Franca

Programação / Sinopse

01/07 – Sombras (EUA, p&b, 87min, 1959)

Sinopse: Filme de estréia como diretor de John Cassavetes. A produção gira em torno de três irmãos mulatos, que convivem com amores e preconceitos, interpretados por alunos de um seminário sobre teatro ministrado pelo diretor. Na trama, Leila é morena-clara e se apaixona por um branco. Mas, quando ele conhece os irmãos dela, bem mais escuros, o relacionamento começa a ruir. A trilha sonora leva a assinatura de Charles Mingus e tem muitos momentos de improviso, assim como a atuação dos atores. Um dos filmes essenciais a qualquer cinéfilo, obra do maior ícone do cinema independente norte-americano. Exemplo vigoroso de como fazer filmes com uma câmera na mão e idéias em ponto de ebulição na cabeça.

08/07 – Faces (EUA, p&b, 130min, 1968)

Sinopse: Segundo filme independente de Cassavetes, a produção foi adaptada de uma peça teatral do próprio cineasta. A trama acompanha a lenta desintegração de um casamento de classe média alta norte-americana, em que o marido se envolve com uma garota mais jovem, que conheceu no bar e a esposa começa uma relação com um garoto de programa. O filme recebeu três indicações ao Oscar – roteiro original, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

15/07 – Uma Mulher Sob Influência (EUA, cor, 146min, 1974)

Sinopse: Sobrecarregado de trabalho num estaleiro, Nick Longhetti (Peter Falk) tenta conviver com o desequilíbrio emocional de sua esposa Mabel (Gena Rowlands), uma dona-de-casa depressiva. Quando os filhos começam a ser atingidos pelo trauma da mãe, Nick se vê obrigado a hospitalizá-la e assumir o controle da casa. Poucas histórias filmadas conseguem tantos risos sinceros e nervosos misturados a uma agonia que não cessa. Mas há um amor e uma compreensão guardados ali nas interpretações, e na mão que conduz a história, difíceis de encontrarem páreo. Tanto que em um certo momento, você percebe e sente mesmo vontade de ter os olhos de Mabel, aquela mulher sem eixo, mas que guarda uma liberdade que naturalmente a vida cobra.

22/07 – A Morte de Um Bookmaker Chinês (EUA, cor, 135min, 1976)

Sinopse: Cosmo Vitelli (Ben Gazzara) é proprietário de uma boate de strip-tease em Los Angeles. Ele fez uma alta dívida no jogo de pôquer, mas não tem dinheiro para quitá-la. Em troca, a Máfia exige que ele mate um bookmaker chinês para saldar a dívida. Para isso, Cosmo se envolve no submundo do crime e do jogo. Uma desencantada reflexão sobre o poder e o dinheiro, através do percurso final do proprietário de um bar, forçado por uma organização mafiosa a matar um chefe de gang chinês, em pagamento de uma dívida de jogo.

29/07 – Noite de Estréia (EUA, cor, 144min, 1977)

Sinopse: Um título teatral e atuações teatrais, nesta obra-prima de Cassavetes. Geena Rowlands, como atriz em crise por não querer encarar o fato de estar envelhecendo, entra em um redemoinho emocional atormentador após a morte de uma fã, poucos instantes após um estranho e próximo contato. Há uma extraordinária sequência, que se inicia na saída do teatro, envereda-se pela rua com a iluminação noturna e artificial sob chuva, “embarca” num carro, e se completa com a câmera observando um acidente, seca e chocantemente filmado, um pouco “mais atrás”. Sequência que servirá de base para o início mais evidente da queda emocional da atriz, e que é toda musicada por um ritmo grandiloquente que surgirá por diversas vezes durante o transcorrer da película, deixando no ar uma sensação estranha, que na realidade, representa mais uma maneira de intervenção do diretor, com o provável propósito de evidenciar o espetáculo, afastando-o e posicionando-o acima da vida comum. Super premiado, indispensável aos amantes da 7ª arte.

Fonte: SESC

> Cobertura

Dia 5: Noite de Estreia (1977) - Ricardo Lessa Filho

Dia 4: A Morte de um Bookmaker Chinês (1976)Bruno Soares

Dia 3: Uma Mulher sob Influência (1974)Bruno Rafael

Dia 2: Faces (1968)Ranieri Brandão

Dia 1: Shadows (1959)Ranieri Brandão


ISSN 2238-5290