Ninja Gari (1964, Tetsuya Yamauchi)

Quando as silhuetas emergem à luz dos rostos marcados para morrer, há então o drama que se esvai como a própria vida daqueles condenados, daqueles fantoches marciais à contraluz. O fim não é outro senão catarse; os signos estão exteriorizados, sobretudo no caminho ninja, como faz questão de salientar uma das personagens em uma das cenas mais torturantes do filme: ou mata ou morre. É essa a beleza perversa de Ninja Gari, cujos pseudomovimentos da câmera soturna de Tetsuya Yamauchi atravessam a nebulosa da imagem da era feudal para dignificar um rurouni: à altura do chão também há uma vida que pulsa, que lateja um vínculo terreno e sacro pelo cosmos da história.

Ricardo Lessa Filho

Novembro de 2012


ISSN 2238-5290