007 – Operação Skyfall (2012, Sam Mendes)

James Bond sempre foi para mim e para meio mundo não apenas um ícone ocidental de masculinidade, mas o símbolo cinematográfico maior de um glamour heterossexual, também heteronormativo, firmando-se em nosso imaginário como uma figura mítica, charmosa, atraente, boêmia, inteligente, galante e sagaz. Nesse sentido, mesmo não sendo a melhor cena que assisti nos últimos tempos, a sequência em Skyfall que o vilão, interpretado por Javier Bardem, seduz e coloca a orientação sexual do agente secreto em dúvida, ocupou sem concorrência o posto de mais emblemática. Tudo começa com Bardem amarrando Bond numa cadeira, abrindo a camisa do agente, passando a mão sobre uma cicatriz, acariciando o mamilo para depois acariciar o outro. A sala de cinema essencialmente hétero soltou aquele típico “hmmmmmmmmm” vindo diretamente da 4ª série B. Em seguida, o vilão passa a mão no pescoço de 007, enquanto conta uma história sobre como exterminou uma praga de ratos de sua ilha: atraiu todos eles para um baú, lacrou e lançou no mar, de forma que os animais começaram a comer uns aos outros até que sobraram apenas dois ratos. “Então, nós os soltamos de volta na ilha, mas a partir daquele momento aqueles dois ratos só se alimentariam de ratos. Nós mudamos a natureza deles”. O vilão solta, então, a pergunta que novamente estimularia a plateia num “hmmmmmmmmm” 4ª série B por causa do duplo sentido na legenda em português: “Bond, nós somos como esses dois ratos, por que não nos comemos?”. Bardem pega com força nas coxas do agente secreto, enfatizando que existe primeira vez para tudo. Acontece que Daniel Craig então responde a frase capaz de ressignificar toda história do agente secreto: “e o que faz você pensar que seria a minha primeira vez, meu caro?”. Não devem ter sido poucos, que depois disso, foram assistir a todos os filmes da franquia em busca dos indícios.

Rodrigo Almeida

Novembro de 2012


ISSN 2238-5290