Tudo Que Eu Amo (2009, Jacek Borcuch)

Comprovando que política também é uma questão de pele, o ainda recente longa do polonês Jacek Borcuch retrata uma das juventudes mais bonitas que o cinema dos últimos anos fez nascer. Beleza que emana não só do elenco, mas da maneira como estes corpos são aproximados pela câmera, suprimindo distâncias de épocas (pois ao mesmo tempo em que sentimos ser um filme saído realmente dos anos 80, década de sua diegese, conta com imagens que nunca abandonam uma forte impressão de tempo presente, de anos 2000) e dando toda a liberdade que os atores precisam para fruir a domesticada selvageria de suas realidades (sociais, afetivas, subjetivas). Das vigorosas cenas musicais com a formação de uma reacionária banda punk aos conflitos vividos pelos integrantes desta, com suas famílias, amores, ideologias e sexualidades, Borcuch extrai um trabalho pleno de atmosfera e percepção. Sentimos a pele de seus personagens com um carinho que faz serem nossos os corpos tocados; revivemos uma parte da história como se em nenhum momento nos tivéssemos afastado dela, encontrando facilmente os ecos daquele tempo no que hoje (fora da sala de cinema) recuperamos do mundo; mergulhamos num estado de consciência e memória que termina por rejuvenescer o olhar, o viver. Destes filmes que nos impedem de envelhecer.

Fernando Mendonça

Dezembro de 2012


ISSN 2238-5290