O Som ao Redor (2013, Kleber Mendonça Filho)

Já se vai mais de um ano desde que movimentamos esta seção pela última vez. A pausa, quase musical de tão necessária, parecia predestinada a esperar pelo som de um filme que, por incrível que pareça, foi nossa última e única possibilidade de foco, passado todo este tempo. Após um ano considerando a realização do retorno, conscientes de que não éramos guiados pelo habitual atraso de nossa política, mas por um pedido do próprio filme pensado, O Som Ao Redor, de que se esperasse o ‘abaixar da poeira’, de que assim soássemos como um interlúdio, foi a prerrogativa que trouxe o distanciamento adequado — já que estamos no outro lado do abismo que define o calor do tempo para um New York Times. Observar a trajetória deste primeiro longa de Kleber Mendonça Filho, primeiro trabalho nacional a contemplarmos conjuntamente, permitiu uma reflexão não apenas sobre uma das mais interessantes carreiras junto a um cinema atual de nossa geografia, mas também um aprofundamento na consciência do que aqui pretendemos, pela multiplicidade de olhares buscada. Nesse sentido, incluímos na seção um desdobramento do que uma vez chamamos como Cena em Quadro (Edição #07), reunindo textos de cada um para um mesmo filme, mas também cenas resgatadas e recortadas por imagens que elegemos como memoráveis. Nisto sempre acreditamos, de não caber somente na palavra a crítica, mas na ilustração que dela encontramos, na visualidade que permanece de um filme, por um plano, um frame, um rastro de sua existência em nós.

Fernando Mendonça

Outubro de 2013

> As redondezas do afeto (ou um filme para chamar de meu) Ricardo Lessa Filho

> À altura do céu e do ventre

> O acúmulo do tempoEdson Costa Jr.

> O que vemos, o que nos olha

> A Reorientação do mundoFernando Mendonça

> Anatomia de Uma Consciência

> Eles VivemRanieri Brandão

> Jaws ou o banho no quintal


ISSN 2238-5290