O fantasma da história

01 – O homem do futuro, e o fantasma de um amor refletido numa janela

02 – Ele avista o fantasma – e a janela nos desvenda, como num devaneio, a fantasmagoria do tempo

03 – Torná-lo-ia, o homem, agora, devorado pelo olhar da janela, também um fantasma?

04 – Por entre os troncos das árvores, ele encontra o “tronco”, a silhueta deste fantasma

05 – E agora, pelos arbustos, a fagulha do corpo deste ser-devaneio

06 – O fantasma o avista, finalmente

07 – A câmera subjetiva, o olhar do homem, penetrando o corpo: “ela é real?”, ele parece pensar.

08 – Ele a fita, também geometrizado por um tronco da árvore – essa grande pilastra da natureza

09 – “É você?”, ela pergunta.

10 – Com um gesto das mãos que tiram o chapéu, como se encontrasse o seu Anjo da História particular, ele responde: “Sim, sou eu”, sim é ele, esse homem que manuseia a memória e o tempo, esse equívoco da eternidade chamado de amor, ora de um simples sonho perpétuo.

Filme: Em Algum Lugar do Passado (1980, Jeannot Szwarc)

Ricardo Lessa Filho

Março de 2014


ISSN 2238-5290