Eros + Massacre (1969, Yoshishige Yoshida)

Eros + Massacre caracteriza-se no estilo narrativo autêntico e de quebra da grande indústria dos estúdios. Não é por acaso que ele seja considerado uma das grandes obras da Nouvelle Vague Nipônica. O estilo e os temas usados aqui nos remetem ao cinema que diretores como Nagisa Ôshima produziam em filmes como O Homem que Deixou seu Testamento no Filme ou Duplo Suicídio Forçado: Verão Japonês principalmente no tema tabu da sociedade japonesa da época: liberdade sexual. Em Eros + Massacre o tema não se restringe propriamente a isso, pois tanto em outros filmes da época a idéia de liberdade sexual encontra-se atrelada a idéia de liberdade de pensamento.

Numa sociedade conservadora como a do Japão do pós-guerra assistimos o relacionamento entre dois jovens que discutem o tempo inteiro questão de existência, liberdade e sexo enquanto isso, o diretor nos remete ao inicio do século XX pra contar a história do anarquista Sakae Osugi e de sua amante e escritora de uma revista feminista Noe Ito.

Uma biografia de estilo nada convencional apoiada bem mais numa visão pessoal e intima, Yoshida demonstra na longa duração um comparativo de gerações e de idéias, por isso é fácil confundir ambas por causa das peças pregadas pelo diretor na trilha-sonora e nos cenários. Sabemos que os personagens estão na década de 20, mas assistimos a um cenário modernista e trilha-sonora com guitarras elétricas e alguns sons eletrônicos. Esse jogo de tempo e espaço talvez seja pra fixar a idéia de pensamento e conceitos que tanto é exposta na obra.

O fato é que Eros + Massacre tornou-se uma obra atemporal, cabe muito bem em época de contracultura e revolução estudantil como na geração contemporânea da informatização e de novos anseios. A direção primorosa de Yoshida regida pela belíssima fotografia de Motokichi Hasegawa e a trilha composta por Toshi Ichiyanagi (Otoshiana), eleva esta obra ao status de uma das mais importantes obras cinematográficas japonesas dos anos 60. Por todo seu foco narrativo e estético pode não ser de agrado na primeira vista, mas a cada nova cena percebe-se que algo de grandioso foi feito.

Nuno Balducci

Agosto de 2010


ISSN 2238-5290