Coração prisioneiro

“O mais terrorífico é o sentimento de ausência: uma maldição em que aquele que esteve aqui ‘entre nós’ desafia o tempo e o espaço, insistindo em permanecer, mesmo como vazio e mesmo como rastro, na forma da evidência de uma antiga presença que ali esteve e que ‘nos informou alguma coisa’, seja pelo gesto, seja pela escrita ou pela palavra. A desaparição – do quadro ou da existência (em Griffith tudo isso dá-se como o mesmo) – é o maior mistério, porque ela sempre é imaginada como uma fronteira aberta entre a matéria e o místico, o concreto e o mais perfeito golpe do destino, ente que não pede licença a nenhum de nós”.

Filme: Crepúsculo de uma Raça (1964, John Ford)

Ranieri Brandão

Janeiro de 2015


ISSN 2238-5290